segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Fique Comigo

                                         Oh, won't you stay with me?


Corro em direção a porta aos prantos, gritar ''Não vá embora.'' vai fazer você ficar? A sensação de abandono sobe pelas pernas, percorre o corpo e se infiltra sob os  pulsos, a dor parece ter sido injetada exatamente no  meu ponto vital, o coração dispara enquanto a garganta se fecha, por que está soltando minha mão?

Não me dê as costas, não feche a porta, não abandone sua garota louca...Eu posso ter uns parafusos a menos, e uns extremos a mais. Um passado que perturba a mente, que assusta a todos que a vida não fodeu sinceramente.
Olhe as paredes desta casa, exalam paixão, transpiram você, me dei inteiramente, deixei que penetrasse além do meu corpo, o mais profundo, sob a pele, onde moram os medos e anseios, eu nunca deveria ter deixado você entrar? 
O que meu psiquiatra diria sobre isso? Escreveria as frases prontas de sempre no prontuário? Aumentaria a dose da medicação com medo de um colapso sentimental? Ou diria que sou especialmente sensível para a maioria das pessoas? Eu apostaria em caos, eu sou um caos, Dr. Freddy, me entupir de drogas não vai fazer ninguém ficar, por que não me ensina a dar adeus sem enlouquecer? 
Eu acreditei que você ficaria, ao menos desta vez alguém ficaria. Ficar mesmo quando meus joelhos pararem de funcionar, mesmo quando já não puder escutar o som da tua voz, mesmo quando qualquer resquício de beleza tiver virado pó, certamente me enganei? Olhe para trás, me olhe! Não me deixe aqui, de repente bateu um frio sufocante, é seu corpo indo embora... 
Abri a porta com tanto carinho, despi as armaduras, fiquei nua e vulnerável, deixei que tocasse minha alma, fiquei de joelhos diante de cada vontade sua, derreti sob ti, fundi meu corpo no teu, ardi em chamas, mas só agora elas estão doendo, e como doem... 
Estou de ponta cabeça, você e todo seu universo encantado surrupiaram-me, filmes românticos, apelidos carinhosos, crises de ciúmes, beijos intermináveis, frases apaixonadas no calor do momento, planos sobre o futuro, que febre louca é essa? Alguém tem um remédio? Esse garoto acendeu luzes coloridas em meu peito, mas está partindo, devia ter desconfiado, você não gosta de café...
Suas mãos tão maiores que as minhas, sorriso de menino com covinhas irresistíveis, dá ciúmes só de imaginar outro alguém admirando-as, logo eu, tão liberal, tomada por um sentimento de posse nunca antes imaginado, se pudesse lhe enterrava dentro de mim, quando foi que me tornei tão passional? Egoísta e insegura? Tolamente querendo você só pra mim, só e unicamente meu, devo estar delirando, o que fez comigo? Qual tua fórmula secreta? Qual demônio invocou?
A cada passo teu algo em mim dói, depois da porta qualquer uma vai cruzar teu caminho, cheio de amor e doçura, marrento e atraente, não vai demorar até que esqueça de mim e outra preencha o meu lugar, e provavelmente com o muito mais talento, talvez eu não esteja apta? Já posso quebrar a casa toda e abrir aquela garrafa de vinho esquecida no armário? Eu queria poder amar você...
Deveria ser crime partir desejando ficar, crime de amor, crime contra si mesmo, que pecado; meu bem... Homens não choram? Olhe nos meus olhos e diga que quer mesmo ir, está chovendo lá fora, é seguro aqui, e eu gosto tanto de ti, de qual penhasco devo pular para que você acredite? O penhasco do grito? Do exílio? Das lágrimas?
Caso insista em ir embora, por favor, não me machuque mais, bata a porta e me faça esquecer teu nome, teu cheiro, teu sabor, teu desejo, lhe imploro...







terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ao menos uma vez

                                  





                                   Eu não sei fazer poesia, não com palavras
                                   Afinal, eu inteira sou uma poesia fodida 
                                   Na flor da idade e derretendo sob o fogo da vida
                                   Minha pele é uma porcelana cheia de rachaduras
                                   A inocência deixei por lá, há uns dez anos atrás.
                                   Desde então tenho estado tão febril, quase uma chama viva
                                   Nadando contra a maré doentia e quase morrendo a cada dia
                                   Transbordo excessos; paixões, manias, desejos, um acúmulo de vícios
                                   Selvagem por si só, descontrolada e louca, vivo dando tiros no escuro
                                   Não sei as medidas entre um extremo e outro, odeio essa matemática
                                   Por que ser uma se posso ser todas? Limites não agradam ninguém
                                   Se gosto de sexo, fodo até o corpo doer, se gosto de música, escuto até enjoar
                                   Nunca me diga quando parar, só escuto quando a vida vem e me dá uma surra
                                   Uma surra épica que te quebra inteira, e te faz beijar o chão cuspido.
                                   Eu só peço uma coisa a mim mesma; mais amor e menos partidas
                                   Se permanecer é um ato de amor, me deixe ficar, ao menos uma vez
                                   Não me deixe foder com tudo, me ensine a ter paciência, a não enlouquecer
                                   Só dessa vez; eu imploro!
                                   

                                 
                                    

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Porta Fechada






Parei em frente a sua porta e bati; bati várias vezes, não houve resposta alguma, até pensei em chamar seu nome, mas nunca soube se tinha um c no meio, preferia que não tivesse..
Por que você não deixou a porta aberta? Eu tinha esperança que um dia me deixasse entrar, talvez estivesse ocupado demais tentando ser desejado para me enxergar, por mais que esticasse os braços nunca era o suficiente, você estava inalcançável, era uma ilusão cibernética.                                                                                                              Encostei-me na porta e sentei, abracei os joelhos esperando um sinal, um leve tintilar de pés, uma voz, um girar da maçaneta, soava como rejeição, tinha aquele sabor acre e angustiante típico da rejeição, mas não era, ou era? Sempre dizia '' Não, mas eu te quero, não vá embora, espere!'', dava um nó na garganta, um tapa na cara, uma confusão! Nenhum dos dois era normal, parecíamos perfeitos em um encaixe deformado; neuróticos, entediados, complexados, não que eu tivesse desenvolvido um sentimento, era um desejo louco na verdade, tocar e sentir alguém que dividia das mesmas sensações, do mesmo caos, da mesma profundidade.                                                                  

Fiquei ali por horas, boca seca, estômago doendo, insistência e urgência são defeitos de fabricação, carma que faz do indivíduo um escravo psicótico-neurótico de si mesmo!       Qual era o problema comigo? Falta de Beleza? Desinteressante? Parecida demais com você? Ou era só mais um escravo de suas próprias neuroses como eu? Tão belo em toda extensão do seu ser, um amontoado de pele, cabelo, músculos e pensamentos, inteligente e sensível, tinha alma de poeta, só não ousou escrever, perdido no cinza da metrópole, trancado entre paredes e halteres, filmes e espelhos, quem sou eu para descrever.. Levantei exausta, havia fracassado; outra vez, uma vez mais, quantas foram? Negou meu ser, minhas carícias, minha companhia, quem diabos eu era? Respirei fundo e abri a mochila, arranquei uma folha da agenda velha e vazia, eu sempre compro agendas esperando usa-las, mas sou imprevisível demais até para conseguir organizar uma...Escrevi com caneta preta e letra garrancho; escrevo com tanta intensidade que a forma é quase abstrata :
       

   ''Se um dia me quiser, talvez a porta ainda esteja aberta! Beijos.
               Rua: Capitão Alvim, número :1000, apt 22 bl D''
            

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Eu era garoa, e ela um furacão.





Ela não parecia ser alguém em quem eu pudesse confiar, o tipo de garota louca que está sempre pronta para ir embora. Uma vez vi em um filme: '' Pessoas sofridas são perigosas pois sabem que podem sobreviver.'' Alice era o retrato-falado escarrado daquela frase.
De cabelos ao vento, vinha um tanto moleca demais pro meu gosto me pedindo colo, poucos minutos depois lançava um olhar selvagem, cheio de desejo, e sussurrava bobagens no meu ouvido, sua natureza dupla assustava, era difícil saber com qual dos seus ''eus'' estava lidando.
Quase uma criança, sem o mínimo de paciência, beirava o caos, querendo viver cada dia como se fosse o último, fugia da minha costumeira estabilidade, teimosa e mimada, dava nos nervos!
                              
                        Eu era garoa, e ela um furacão. 
Ao mesmo tempo que oferecia oceanos de amor, quebrava a casa toda, ficava emburrada e incendiava o jardim, depois voltava  pedindo uma noite de amor, '' me fode, por favor.'' sempre esteve entre suas frases prediletas, seu fogo era apaixonado, intenso e leal.
Me abraçava com tamanha intensidade, agarrava-se ao meu ser, procurava o amago dos corpos, me perdia em carícias, fluídos e amor.
Acordava cedo demais, eu só queria dormir e ela já estava pulando na cama com os gatos; malditos gatos, atacam minha rinite, pelos branquinhos voando por todos os lados, Alice era realmente dos diabos! Onde estava com a cabeça quando escolhi uma ruiva? São malucas de bicicleta povoando o mundo com cabelos de fogo!
Me enchia de beijos e abraços, inundando-me com seu cheiro, cheia de mimos e histerias, mudava de humor como se muda canais na tv a cabo; freneticamente, indiscriminadamente, era impossível ficar entediado ao seu lado, e em paz também, mas quem é que quer paz quando está apaixonado? Ninguém! Eu escolhi estar no olho do furacão, furacão de bochechas rosas e unhas quebradas, é uma pena que eu tenha de parar por aqui, eu ainda não sei o restante da história, onde a coloquei, ou pretendo colocar, quem sabe amanhã!


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Como amar alguém que mora dentro de mim?


Todas as noites quando encosto a cabeça no travesseiro, repito como em um célebre ritual :

- Eu preciso me bastar. A carência deste corpo é desumana, qual o preço a se pagar pela solidão? As fendas do meu coração sempre foram preenchidas com pessoas, sem distinção de sexo, cor ou idade; abracei o mundo todo em meio ao caos, nunca fiz por mal, é pura necessidade, necessidade doentia de calor humano. 

Eu sabia que estava me perdendo, sentimentos desenfreados, uma lista interminável de nomes, tatuariam puta na minha testa antes que eu me desse conta, seria uma falha de caráter?

Sedenta desde o nascimento, esfomeada, chorona e descontrolada, esbanjando afeto pelos poros, eu deveria ter um vestidinho escrito '' me ame'', não me ensinaram o amor próprio, é tão triste o fato de que muitas pessoas não amem a si próprias, pois afinal, você pode perder tudo, mas sempre  restará o você, em carne e osso para lhe acompanhar, dia-a-dia.  

Como amar alguém que mora dentro de mim? Para uns parece tão fácil, para outros é como travar uma guerra no inverno russo, sem amor próprio a sensação de vazio e solidão lhe acompanham como parasitas, e um ciclo escravista instala-se em sua vida, faz de tudo para ser amado, mesmo que não vá amar o próximo; tenta ser belo, dócil, afável, interessante, inteligente, agradável, sexy, sem ao menos se dar conta torna-se escravo de tudo e todos... 

Está tentando comprar o amor alheio com um belo sorriso, belas pernas ou pensamentos sagazes, consegue parar? Está tapando buracos com lama, vai acabar sempre suja e solitária, é impossível alguém trilhar essa estrada ao seu lado, até porque nada parece lhe bastar, nada vai, até que você se baste... 

Tranquei as portas, desliguei o celular, e prometi não ceder ao desejo insano do outro, é um processo de desintoxicação doloroso, abraço o travesseiro e cerro os dentes, a solidão do mundo todo parece estar sobre minhas costas, fecho os olhos e imagino uma respiração ao meu lado, ela não tem forma, é só minha fome doentia por qualquer coisa que tenha sangue correndo nas veias, cubro a cabeça e choro, continuo até que o sono me vença, venci mais um dia, ao menos mais um... 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Amores dose única



Abro os olhos e você está dormindo, um sorriso  lindo, a típica respiração angelical de quem dorme, deslizo os dedos por teus cabelos acariciando-os carinhosamente. 
Sua pele é quente, enlaço nossos pés, beijo sua bochecha um pouco tímida, minhas demonstrações de carinho são sempre mais singelas que o sexo. Olho o relógio e são quase dez horas, levanto cuidadosamente para não lhe acordar, dirijo-me a cozinha e preparo um delicioso café, forte e quase sem açúcar, puríssimo!
Nos amores dose única todo café é o ultimo, uma ternura se derrama sobre a bebida, é o meu presente de despedida, não que precise de uma, sou quase uma especialista em ''ois'' e ''tchaus'', e eu faço questão de continuar com isso, gosto do cheiro que deixam em mim, há quem diga que isso é medo, mas nada como gravar um belo beijo, um belo sorriso, e horas de conversa na memória, já tenho dor o suficiente em mim, por que deixaria alguém entrar?
Por natureza este corpo é carente, sob a indelicada estrutura óssea mora uma pessoa dócil, tão frágil quanto seus joelhos, tempestades são comuns em sua alma, um coração em constante erupção, extremamente simpática e empática, perfeita para se amar por um único dia.
Eu farei exatamente como você gosta, poderemos cantar juntos, fumar um baseado, beber cerveja ou vinho, fazer sexo, falar sobre direito, esporte, mulheres, magia, música, depende do seu nome, do seu gosto, quase uma camaleão do amor.
             
         Como é seu nome? Eu certamente jamais esquecerei, mas é seu dever esquecer o meu. 

domingo, 24 de agosto de 2014

Não Sei Amar

Tenho dezoito longos anos
Aprendi a foder como ninguém
Mas não sei amar.
Estou em dívida com a vida
Que me cobra a cada despedida
Uma solução, um amor, um milagre
Pede pra que eu fique mais tempo
Ela sabe que estou cansada
E o meu prazer crucifica qualquer forma de amor
Parte ao meio todos que insistem em ficar
Fura os olhos d'alma
E destroça o peito
Eu faço chover cinzas
E parece que será sempre assim.
Quem dera foder me bastasse
Já que suga tanta vida de mim
Por que não me completa?
Paus e bocetas em forma de coração
Seriam eles suficientes?
Mil dedos preencheriam minha cama?
A puta mais triste da cidade
Ela poderia amar alguém?
Permitiria que preenchessem seu coração
E não seus buracos?
Há muito amor em mim
Ele escorre e flui
Eu só não consigo sentir
O vazio do momento sempre me leva
Pra outro lugar
Pra outra cama
Pra outra foda
Pra outro adeus
Pra outra solidão
Se deus existisse, eu já o teria mandado embora
Ou quem sabe dormisse com o diabo
Eu faço as pessoas revogarem o amor que me dão
Me debulho em lágrimas ao ouvir:
Não posso mais
Poderia ser um teatro, mas me dói
Dói demais
Repelente de gente
Repelente de amor
Eu sou a única causa da dor
Estou sempre dizendo não ao amor.



domingo, 17 de agosto de 2014

Não me dê a mão


Eu não tenho direção, não conheço retas lineares, todo o meu ser é um pequeno universo desconexo, vivo na corda bamba, na beira do abismo, na boca do lobo... Não importa o dia, é sempre perigoso trilhar esse caminho, ao meu lado você pode adentrar um paraíso cujo o céu tem as cores das chamas do inferno.                                                                                       Intensas erupções sobre a pele da alma, sangram, vazam, algumas tornam-se grandes feridas enquanto outras viram manchas escuras, cicatrizes sem forma, mas por todo corpo elas voltam a explodir, as emoções continuam a transbordar, vivendo em eterna erupção humana, desumana, sobre-humana, sub-humana e qualquer coisa que eu possa ser ou não ser. E em como todo universo; há um buraco negro, nunca é suficiente, nada alimenta, e nada me prende por muito tempo, cuspindo na poética do texto: sou uma cusona!                                            
As vezes o prazer parece ser o único e verdadeiro deus existente na terra, venero-o como uma beata, escrava do hedonismo que se arrasta como um morto vivo, mas ataca como um lobo esfomeado.                                                                                           Minhas emoções rezam, mas dão tiros no escuro, e o sangue que escorre quase sempre é o meu ou daqueles que amo. Amanhã é sempre outro dia, afundo-me nas turbulências, afogo-me  em tragédias, delicio-me em prazeres, me dê a mão, eu tentarei lhe amar, você pode acabar sem o braço, o veneno terá sabor de licor, vai doer, mas farei o meu melhor... 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Paraísos Artificiais

                 

Paraísos artificiais, infernais, carnais; as válvulas de escape que você usa para fugir da realidade. Cada um de nós sabe quando parar, só não queremos. A magia existe, basta deseja-la, e ela é tão negra quanto imaginam.
Não importa qual seja o paraíso que tenha escolhido, ele é a passagem de ida para um lugar do qual você não vai querer retornar. O ser humano tem a obscura capacidade de conseguir transformar qualquer coisa em vício, você vende a alma só para não ter que ver além das cortinas da sua janela, sabe que o amanhã vai chegar, incrédulo e real, mas se por hoje pode fugir dele, você o fará, jogará luzes de neon em seu coração cansado.
E uma vez que se entregue por completo, que sinta a realidade escorrer, o corpo anestesiar, a mente mergulhar em sensações indescritíveis vai viciar e querer de novo... Talvez imagine cocaína, maconha, lsd, ecstasy, metanfetamina, álcool, cigarro, porém, não se resume a isso.
O sexo, o esporte, a paixão, a comida, o dinheiro e a tecnologia são grandes paraísos artificiais, que  podem se tornar uma perigosa obsessão.

Eu  não sei onde começa ou termina cada parte de mim, todo o meu ser é vício, por toda a vida  tenho escapado por todos os meios possíveis, vivendo em ilhas paradisíacas, sendo queimada com infernais raios solares, me afogando em águas cristalinas, cortando os pés nas pedras.
                                         O prazer se mescla a dor...
                                                  E ambos se tornam insaciáveis.




                                       
                                 


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sobre Hoje



Acordei com vontade de escrever algo rápido,veloz como minhas paixões, que começam e acabam da noite pro dia, perco-me com frequência, mergulho em tudo e todos, estando pesada como âncora ou leve como pena continuo a mesma.  A mesma garota beijada pelo fogo da vida, marcada a ferro, afogada em excessos.                                          

Os meus joelhos não respondem mais, inevitavelmente completei dezoito, meu pai continua intacto, o universo é o mesmo, as estrelas são ofuscadas com iluminação humana, as cidades nunca dormem, os mortos são esquecidos e os bares estão lotados... De corações partidos.   

A presença da dor é excruciante, no entanto, sou tua cria, tua filha, teu amor mais presente. Cuida de mim, e te acalento nos braços. Já foi loucura, agora é natural, um carma pode ser uma benção? Apesar dos pesares tem valido a pena, muito conturbadamente sinto-me abençoada por estar aqui.                               
Frágil como um cristal, provavelmente eu vá te machucar quando me deixar cair, porque assim como a dor sou inevitável, e antes que se dê conta vou encher teu peito de emoção, vou te fazer feliz, e vou partir... A dor não dura para sempre, por que eu duraria? As pessoas são em minha vida como uma febre.

Estou vivendo um dia de cada vez, tentando não perder o controle, tentando não tragar as pessoas como um cigarro, procurando não consumi-las em poucos minutos ou joga-las ao vento.
No entanto, quem pode conter o fogo do meu coração? Da minha alma? Do meu corpo? Quem brinca com fogo acaba queimado, e ele está está dentro mim... 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Fim da Paixão

Fitavam o teto como dois estranhos enquanto o cheiro de sexo exalava em cada canto, mas não era como antes, a paixão já não pintava aquelas paredes, os beijos deixaram de ser ofegantes, já não se olhavam como antes, um não chamava mais o nome do outro, os corpos não mais se engoliam, gemidos falsos e mecânicos, era uma prisão para ambos, pisavam sobre as cinzas de um sentimento que não existia mais.

- Sah, eu preciso lhe dizer uma coisa.



Pete arrumou o travesseiro e cruzou os braços atrás da cabeça, era um  jovem adulto nu e entediado ao lado da namorada. Os fins são sempre tão amargos; como gosto de cigarro velho, já havia beijado cada ínfima parte daquele corpo, a pele branca costumava incendia-lo, cerrou os lábios e fechou os olhos tentando sentir uma gota que fosse daquele prazer, mas não importava o que ele fizesse, tinha acabado.


- Eu sei, você não me ama mais...

Samantha puxou o lençol até a altura dos seios, encostou a mão sobre a de Pete e lembrou de cada noite mal dormida, que belas noites mal dormidas! Velava o sono de Pete completamente apaixonada, ouvia encantada a respiração leve dele, os cabelos loiros sempre bagunçados, teve vontade de rir, um riso de desespero.

- Eu nunca te amei, olhe bem , consumimos toda paixão que havia entre nós e não sobrou mais nada, nenhum resquício de amor.

Ela se virou enfurecida.

- Quer que eu acredite que tudo que vivemos não era amor? Porra! Eu te amei tanto!

Pete respirou fundo e sentou-se na cama.

- Eu pensei que era infinito, tudo era tão perfeito, até nossas brigas eram perfeitas, reconciliações regadas a cerveja e sexo, lembra? Quando me deu um tapa por ciúmes, foi uma das melhores noites da minha vida! Abaixou a cabeça, evitava olha-la nos olhos. 

- As brigas começaram a ser desgastantes, o sexo entediante, paramos de trocar mensagens todos os dias, seus defeitos apareceram um a um, odeio sua voz, e você toca mal demais! Eu amava te ver ensaiando. 


- E eu então? Adorava ouvir você falando de filosofia e esportes, achava suas birras engraçadinhas, mas porra, foi ficando um saco! E eu sei que você dormiu com um homem semana passada! Eu soube no exato momento em que cruzei a porta no dia,  parecia mais viva, a pele brilhava, e seu olhar de culpa lhe entregou. 

Engoliu a seco e respirou fundo, parecia ter congelado, mas nem se tratava de uma tragédia shakesperiana, pois não havia paixão, amor, ou algo semelhante.

- Me desculpa, por favor! Aconteceu, ele não importa, eu juro! Por quanto tempo você iria esconder que sabia?

- Por quanto tempo você esconderia? Interrogou ironicamente.  Eu  fiz o mesmo, eu também dormi com uma garota! Passei a noite com ela ontem.

Olharam-se fixamente, estavam mergulhados em ciúmes , mágoa e raiva. Isso acontece com muitos casais,  o orgulho ferido faz muitas pessoas acreditarem que ainda se gostam, mas é puro egoísmo humano. Pete era esclarecido o suficiente para perceber isso; Samantha não.

- Desculpa! Samantha abraçou a cintura dele desesperada.  Não me deixa! Por favor!

Em outra ocasião estaria enfurecido, ser traído é dilacerante para qualquer um, no entanto, sentia pena, Samantha não conseguia entender que  já tinha acabado, a traição veio só a calhar para ambos. Esses desesperos são recorrentes em términos, ninguém gosta de perder! A garota implorou repetidas vezes, o abandono soou tão aterrorizante, as horas com Saymon pesaram como uma âncora de navio afundando-a em remorso, mas era falso, típica armadilha que a consciência nos impõe.

- Eu vou sempre lembrar de você, ok? Acariciou os cabelos dela rapidamente e fitou o teto novamente. A garota começou a chorar drasticamente, soluçava e apertava-o com força. Nada pior do que ver uma garota chorando, dá um nó na garganta.

- Acho melhor eu ir, né?

Levou um bom tempo até conseguir escapar das lágrimas da garota,  pegou suas roupas no chão e saiu pela porta sem olhar pra trás.  Samantha ainda  chorou algumas horas, mas logo caiu em si, ele estava certo.


Ele deixou um buraco na cama que não demorou a ser preenchido, porque paixões vem e vão, são como andorinhas de verão. O amor não, o amor constrói casa, uma casa que a maioria de nós nunca viu.
E certamente não é como nos livros, ninguém morre de amor, ou vive de amor, apenas ama! Gradualmente e pacientemente amando um defeito de cada vez, é tão concreto que não posso ao menos imaginar como é, a pergunta é , você já amou? Amor acaba? Não sei...


domingo, 9 de março de 2014

C.P

O coração despertou acelerado, as batidas são quase sufocantes, mágoa ou ansiedade? Não consigo levantar da cama, o porre da noite passada foi pesado, o doce não me deixou dormir, viajei acordada para uma nuvem de desastrosas sensações, você estava lá com teu olhar de desdém, mas não me olhou nos olhos, foi como um sopro de dor, gritei; não soube ao menos dizer meu nome.

Fumei a porra da maconha tentando aliviar a sensação, tentando ficar feliz, tentando fingir que não estava magoada, coloquei o doce no copo de bebida, e foram inúmeros copos! Dancei conforme a música todos esses dias, o nó na garganta foi dilacerante, o estômago se contorcendo, o peso nas costas, fiz de tudo pra sorrir. 

Não posso me basear na visão do próximo, mas, se soubesse o tanto que me esforcei para que me visse bela, o quão segurei o coração na boca para te encontrar, o quão espontânea fui na minha doçura, delicadeza que poucos conseguem alcançar, e os que conseguem sempre cospem nela!

Uma vida preenchida com paixões passageiras, febres fúteis e extremamente dolorosas, como poderia evitar? Como posso frear o compasso do meu coração? Esbravejo quando denominam-me masoquista, não é o que sou? Estapeando a própria face todos os dias, alimentando histórias com finais já previstos... 

Sofrer por alguém é tão clichê,  nunca me entendi, não me importo em contar tanta coisa, mas, as decepções amorosas guardo a sete chaves, como se fosse uma vergonha, mesmo sendo completamente natural. 
Os homens e mulheres que enfeitam meus textos, esses seres reais ou imaginários, quase nunca sabem como me afetam, engulo a dor e acabo cuspindo em outro lugar, outra hora, outra pessoa... 
Um orgulho desgraçado, quem sabe se todas as vezes rodasse a baiana e fizesse o devido drama para a pessoa em questão não ficasse mais aliviada, não vivesse  mais leve. Não digo o que penso, não faço o que devo, não esperneio e não choro no momento certo.
Estou sempre engolindo, engolindo dor, engolindo decepção, engolindo porra, engolindo chute na cara, engolindo desprezo, engolindo meu próprio egoísmo! 

Todo o meu ser é colocado em mãos erradas, mãos que eu escolho, cada detalhe é marginalizado, esquecido, vocês ou eu? De quem é a visão equivocada? Eu tenho andado bem confusa... 

Horrorizante como sou frágil, como se minha personalidade fosse um quadro com a tinta ainda fresca moldurado em cristal, fácil de quebrar, fácil de borrar, só  passar o dedo e mudar todo o contexto e equilíbrio do desenho.

C.P - Coração Partido.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Fênix


Renasci das cinzas do inferno, renasci como um alguém que descobriu o mais crucial da vida,  o simples fato de respirar, de ter a chance de degustar esse chocolate meio-amargo que é viver, ainda carrego as dores de sempre; meu joelho ainda  dói, qualquer carinha que eu goste parece ser um problema, decepciono o próximo como ninguém, o espelho é uma terrível distorção, alguns dias são pesados, certos sentimentos são incontroláveis, os traumas continuam aqui, porém, a vida soa mais viva! 

Percebo as batidas do coração, reparo na árdua beleza do sol, sinto o ar entrando nos pulmões, e mesmo quando a dor é insuportável, como as agulhadas pertinentes no joelho, procuro respirar fundo, não me desesperar, desmotivar! O que seria da raça humana sem o mínimo de esperança?

Como um animal não devo pensar no pós vida, sendo espírito ou pó de estrelas acabamos onde a memória termina. 

Em uma outra dimensão, outra vida, ou no fundo da terra já seremos outro alguém, outra existência. Somos nós unicamente agora, o fim não é uma tragédia, é só o fim. E como o final parece ser um fardo para a raça humana! O fim da inocência, de um sonho, da saúde, de um membro, de um amor, de uma paixão, de uma vida toda! 
Se encarássemos de perto, o dito cujo deixaria de ser um monstro de sete-cabeças e o conteúdo atual seria essencial!
Planos para o futuro são ótimos, mas esperar que o amanhã traga paz, sucesso e amor é torturante, o amanhã nunca chega! Consideramos que a arte é uma imitação da vida, mas a arte é tão abstrata, a realidade é de uma crueza decepcionante, mas pode ser instigante lidar com ela.
Eu tive milhares de sonhos, todos largados no caminho, eles não me pertencem mais, o passado não sou mais eu... E se tivesse sido diferente? Desde pequena convivi diariamente com essa frase, alimentando-a. 
E se meu pai me amasse? E se o mundo fosse mais bondoso? E se eu não tivesse mentindo? E se eu não tivesse cortado minha pele? E se eu não tivesse bebido tanto? E se eu não tivesse desgastado meu joelho?


Esses ''se'' não permitiram que eu desfrutasse do que logo viria a se tornar um ''se'' ... Quanto desperdício de vitalidade! De paixão! De significado! De prazer!

Os fracassos nos assombram, por que são um fracasso ou por que o nomeamos como um? Tornei-me auto-depreciativa de um modo que cheguei a considerar isso uma qualidade, destruí meu ego! Ninguém pode sentir-se completo quando corta-se em pedacinhos o tempo todo! 
Tenho fome de amor, de prazer, de paixão! Quem não tem? Ver-se como os demais pode aliviar o egoísmo e a dor, o egocentrismo! No mesmo prédio deve ter uma senhora morrendo de dor nos joelhos, imaginando-se tempos antes, não somos únicos, não estamos sozinhos, apenas nos fazemos sozinhos! Jamais descobriremos o real significado da vida, ele é mutável, construído hoje, banhado em tantas emoções que seria impossível racionaliza-lo! 
Costumo calar, todos costumam calar quando são confrontados com pensamentos, sentimentos! Eu morro de medo que isso seja uma alienação, é preciso realmente sofrer como um condenado para ver a vida como ela é? Não basta estudar, refletir, vejo a importância do viver, do sentir, tocar e quebrar. 
Na maioria das noites sinto falta de alguém, pode ser até de mim! Não acredito que eu vá me encontrar com uma fórmula mágica, ninguém se encontra, ele já é, basicamente, estamos sobrecarregados de ilusões espertas! 
Repare no funcionamento do teu corpo, nas falhas, nas forças, sofrer trás uma certa envergadura que as crianças certamente não conhecem, ou pelo menos não deveriam! 
Preciso me sentir completa, bonita e amada para ser feliz? Preciso ter saúde? Preciso ter dinheiro? Eu preciso ser feliz? Dói saber que enfiam tanta merda em nossas cabeças, mentiras que ferem nossa personalidade. Me assumo animal, fêmea que está tentando se adaptar a seleção natural, só! Nada é tão complexo quanto o simples, ele abrange o mundo! Que medo do mundo! Que medo das pessoas! Dos sentimentos e da vida! Eu quero tudo pra mim ao mesmo tempo que desejo fugir ou inexistir! Certamente; é assim com todos. 
Os politizados, os analfabetos, os honestos, a mulher, o homem, o velho, o assassino! Não quero ter mágoa do universo, o universo sou eu, e tal sentimento voltará como um borrão de sofrimento! Bolhas de insatisfações! 
Por que não  perdoamos a vida? Por que a revolta? Por que a fuga constante de si mesmo, quero tocar a terra!  As pessoas! As dores e amores! 
Quero destituir-me da compulsão, do medo, da carência, sair dessa capa fria e obsessiva... Por que não sermos belos por dentro?
 


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Maldição da Estética.


Estética : s.f. Ciência que trata do belo em geral e do sentimento que ele faz nascer em nós; filosofia das belas-artes.



Quando li esse significado uma ponte desabou sobre minha cabeça, em sua essência a estética não se assemelha em nada ao conceito atual que temos dela, vai além das milhares de clínicas que vejo por aí, das cirurgias plásticas, dos produtos de beleza, das academias...
Somos constantemente bombardeados com a ideia de estética ideal, um ritual, uma compulsão, uma tristeza eminente disseminada em nossas almas. Lá está a beleza; uma escultura gelada em um enorme pedestal, imóvel... E morta! 
A cultuamos como bons fieis, ela tem poderes sobre-humanos, características perfeitas, caráter inquestionável. Ela é uma deusa ou a endeusamos?
 Quando encaro o espelho procuro o reflexo da escultura, é como um tapa na cara, cada traço diferente da deusa é um defeito, imperfeições que assombram, machucam por dentro..
O quão doentio lhe parece sermos todos assim? Qual o verdadeiro significado da beleza física quando ela vai se deteriorar com os anos? Nossa pele será machucada, envelhecida, talvez destruída e um dia a terra sob nossos pés irá comê-la. Todo o esforço para conserva-la será em vão, todo o valor será nulo, perdido no tempo, no nada.
Ao envelhecermos a textura da pele será lembrada apenas em fotos amareladas, ou daqui há alguns anos, em máquinas, hologramas, mas no fim, será apenas uma lembrança! Os cabelos bem arrumados, as roupas estonteantes, o esculpimento do corpo, unhas, músculos, dentes; tudo é visto como essencial, por que uma luta tão injusta? Visando que o inimigo é quase cósmico, mítico. Seres humanos; eu só os enxergo por fora, a carne frágil, exposta, solitária...
Se pudéssemos ver além, enxergar a vida em si, o funcionamento dos órgãos, das células, o sangue pulsante nas veias, aconteceria um surto de amor? Eu poderia romper as correntes da estética? Poderíamos tocar uns aos outros verdadeiramente? Entregar-se aos instintos carnais mais primitivos?  Derrubar a escultura da beleza, o que seria do mundo? O que seria de nós? Acordaria sem rejeitar minha pele? Os homens poderiam só pentear seus cabelos ou alisar suas as carecas sem pesar? As mulheres poderiam jogar fora as listas de obrigações estéticas? Ou o mundo seria um colapso? Onde se encontra o meio-termo? Ou a raça-humana não tem um?
 O reflexo nunca será o bastante, ele jamais será o retrato-falado da beleza, comemos merda para nos sentirmos belos, desperdiçamos vida, desperdiçamos alma, coração, sangue, suor, vitalidade e até uma existência inteira em busca da beleza, e o mais cruel; jamais nos sentimos plenos, pelo contrário, parece existir um coro de vozes nos atormentando, lembrando de cada defeito, pode existir paz de espírito nesse meio?
 Dizem que a beleza desperta amor, paixão, afeto, solidariedade, tudo o que há de bom na vida. Olhemos o mundo, nós estamos bem? Estamos saudáveis? Estamos em paz? Estamos felizes? Há toda uma tristeza por trás do mito da beleza. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Destrinchando

Aos dezessete sou poeta, aos dezoito deixo de existir. Existirá algo de útil para dizer ao mundo? Quanto suportarei sem ficar de joelhos? Ou será que ficar de joelho é um ritual essencial? Repetidamente colocados de joelhos, reze e trabalhe, incinere suas mágoas e supere-as!
Será esse o destino da raça humana? O meu destino como transtornada parece resignado a uma cura doentia ou a uma tragédia sem fim, mas não seria uma tragédia viver dentro do sistema?  Estamos lentamente levando-nos a um suicídio coletivo, suicídio de consciência. Escravizando sentimentos, robotizando corpos, liquidando a espécie, não importa desde que ninguém saiba.
A alienação está dentro de cada um de nós, as exigências do século XXI são pintadas de ouro para parecerem fáceis, as regalias são ótimas, ou você acredita que são ótimas? 

Eu tenho uma televisão grande, roupas bonitas, um celular com mil utilidades, livros novos, médicos de todos os tipos, minha mãe está lutando para me colocar nos eixos, na estrada que diz '' Seja bem sucedido, seja um exemplo, seja belo e vazio! Seja frio, mas carismático.
Estude dez horas, trabalhe seis horas, corra duas horas, pinte os cabelos, depile os pelos, emagreça, coma bem, vá a restaurantes, faça passeios com a família, e etc!'' 
 
Tradução : Faça o que você quiser, mas consuma e produza, consuma e produza até morrer, os médicos dizem para você dormir oito horas, mas você só poderá dormir esse tanto quando morrer. Vinte quatro horas não são suficiente para trabalhar, estudar, comer, consumir, assistir, transar.
O esteriótipo, os psiquiatras dizem que é meu cérebro, os psicólogos que é minha personalidade, a religião diz que é o diabo, os conservadores que é só uma adolescente problemática. Onde está a verdade? Adolescentes são animais selvagens, e diferentes entre si, alguns são mais facilmente domesticáveis, outros relutam, alguns preferem a morte, outros são quase indomesticáveis.
Defrontei-me com o espelho esta manhã, serei domesticada? Tenho dado problemas aos adestradores, o relógio está correndo, se não for domesticada rapidamente acabarei no abatedouro, na exclusão, no submundo. 
A frase mais corriqueira e sincera gritada aos quatro ventos é :  A juventude é a melhor fase, eu era tão feliz. É claro que sim! Você era selvagem! O que seria de nós se a juventude fosse eterna? O mundo seria relativamente pobre, atrasado, e feliz? Ou estaríamos todos mortos pela aids? Qual seria o segmento natural das coisas? Até que ponto somos mais inteligentes?
 - Faça algo com sua inteligência! Faça algo com sua inteligência! Faça algo com sua inteligência.... É o que tenho escutado ao longo dos anos, e o que eu faço com o coração? No sentido mais metafórico possível? Fui picotada, recortada, e remontei-me aos avessos, ou é isso que querem que eu acredite? Estou aos avessos porque estou completamente selvagem?
Sociedade : Ou você a engole, ou ela te cospe...Quanto mais mudo as peças de lugar, mais o mundo parece responder que está errado. E principalmente lá dentro, no mais profundo da alma, está tudo errado.  O espelho, a ansiedade, o corpo, a dúvida, a mágoa, o desejo, a procrastinação, a repetição, a cegueira, a injustiça, o desperdício, a impulsividade, a compulsão, a preguiça, o medo, a libido, o erro.
A liberdade é quase uma utopia, se tivesse crescido na mata, entre os bichos, sem linguagem, longe da civilização, talvez fosse livre... Todo o resto é uma única cadeia, mas o animal selvagem dentro de você ainda existe, hoje é a raiva e angústia sem motivo. Podemos atingir a tão sonhada estabilidade quando a vida é naturalmente um belo deterioramento instável?
Tanto fala-se sobre inteligência emocional, arrisco dizer que ela não condiz com as leis de ordem ''natural'' da sociedade. Nossos corpos de plástico, nossas mentes de plásticos, nossos romances de plásticos, nossas vidas de plástico.
Querem que a vida seja mais previsível que a morte,  o homem ficou tão fascinado com a máquina, que quis tornar-se uma.  A loucura é só uma variável, tudo é loucura, você pode ser apenas um, como todos os outros, por isso o mundo produz tantos loucos.
Sua mente recebe tantas informações que entra em pani, você não corresponde a todas as expectativas, uma euforia psicótica ou depressiva, ansiedades torturantes, pensamentos que mais parecem socos.
Acalmar seu coração? Trabalhar sua raiva? Sua impaciência? Seu nojo e desamor? Sua paixão avassaladora? Concentre-se? Raramente mantenho o foco, minha cabeça está constantemente girando, dando solavancos, invisíveis, inúteis.
Não consigo parar, estou andando, estou correndo, estou procurando meu lugar ao sol, mas dizem por aí que não existem um, e tenho de lidar com isso. No entanto, continuo correndo, talvez até do lugar ao sol, procurando algo que ainda não vivi ou descobri, utópica ou louca? 
Milhares de vulcões em erupções implosivas, somos nós..