segunda-feira, 9 de março de 2015

Eu Teria

  Eu teria sido a mulher que você quisesse, eu teria incendiado tua alma como ninguém antes,  eu teria desejado cada parte do teu corpo como uma cadela no cio, o mundo seria pequeno para nós dois, mil mulheres em uma, e você poderia ter dormido com todas elas.
 Eu era a medida exata entre a feiura e a beleza, estava longe de ser uma bela mulher, mas minhas chamas; ah... Estas eram infinitas! Corpo borbulhante em desejo, erupções hedonistas, eu jamais teria lhe deixado dormir em paz.   Povoaria teu corpo com meu cheiro, meu suor, meus gemidos, meu gozo, eu teria ido ao inferno pra te levar ao êxtase.
 Teria lhe dado muito mais que uma foda qualquer; eu sopraria vida para dentro de seus pulmões, lhe ensinaria como é morrer na medida certa, como é ser uma fênix humana.
 Meus cabelos desgrenhados, minhas unhas sem cor, minha pele sem pó. Eu nunca poderia ter sido uma princesa, moça-donzela, menina-moça, eu vim ao mundo para ser uma crua, selvagem e sem modos; caçar, destrinchar, sobreviver...
 O fogo que queima em meu ventre se infiltraria sob sua pele como um parasita mortal, o prazer lhe tomaria inteiro retorcendo seu âmago, e não se trata apenas de sexo, é algo que transcenderia o corpo, eu teria lhe oferecido o sorriso insano do alvorecer, eu pediria colo como uma menina meiga e foderia como uma puta enlouquecida só para sentir teus olhos nos meus pedindo por mais de mim.
 Seria tântrico, real, grotesco, rude, humano, quase apaixonado... Emoções primitivas em seres primitivos, você não era qualquer homem, e eu não era qualquer mulher, mas você insistiu em não me ver, não me tocar, não permitiu que eu mexesse em tua paz, você é silêncio, e eu tempestade.
  Homem... Eu teria lhe roubado um sorriso, eu teria completado tua solidão, grotescamente eu teria deixado você entrar.

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