segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Exaustivo


Até minha alma tem a marca dos teus dentes, hematomas espalhados no corpo todo me fazem querer gritar, você me faz querer gritar. Causa-me tanta dor, e tão violentamente, são como socos na cara, ponho-me a chorar baixinho quando estou ao seu lado, tamanha é a confusão dentro de mim.
Envolvo-no em um abraço desesperado, teu cheiro atrofia meus músculos, aperto mais, respiro fundo e uma lágrima cai enquanto você ri de algo na televisão. Encolho-me como uma menininha nos teus braços, imploro a mim mesma que não necessite tanto de ti, mesmo respirar parece desnecessário quando estou aprisionada em você, protegida do resto do mundo, desejando ser completamente tua!
Tranca-me no quarto por uma noite, acorrenta-me por dentro, a loucura existente em mim está sempre pedindo por mais, ainda que doa, ainda que seja o fim, ainda que seja por pouco tempo. 
Procuro constantemente pela proteção que não podes me dar, pelo carinho que não me tens, pela paciência que não queres ter, rastejando-me pálida, encobrindo este coração com o pó da derrota, alimentando-me solitariamente dessa paixão malcriada. 
Meu céu, meu inferno, obriga-me a ser forte perante a tanta insensibilidade, esmaga a pele que não tenho, cospe no meu drama recorrente, pisa na minha dor e me beija cheio de amor. Quero agora, queres depois. Me faz esperar, me faz solitária, me faz diferente, é uma prova de resistência te amar. É exaustivo pra caralho te amar! 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Papai

 Enquanto meus ossos cresciam eles doíam
   Eles doíam muito
          Eu tentei muito ter um pai
            Em vez disso tive um papai (8)


Eu sou a garotinha bonitinha, a menininha dos cachinhos dourados, olhos esverdeados, a doçura em meus olhos é sua papai, você está mesmo disposto a destruí-la para satisfazer teus desejos mais íntimos? Papai, eu sou tão menina. Papai, você vai me enlouquecer. Papai, você vai me sujar.
Você sabe quantos anos eu tenho agora? Sabe o que fez com meu cérebro? Sabe que está profundamente enraizado na minha pele? Sabe que estou rejeitando a mim mesma tentando tirar você de mim? De dentro de mim? Consegue dormir em paz? Você sofre como eu? Caralho, ao menos você sofre? Onde está toda sua audácia agora, responda-me!

Estupre-me com suas palavras papai! Não pode ser pior do que você já fez! Olhe dentro dos meus olhos, olhos de menina perdida, devolva-me o controle, o controle da minha vida, o que você me fez perder enquanto se satisfazia com jogos doentios. 
A pele intacta que você tocou, está destroçada. Cicatrizes escritas com sangue, crueldade e loucura. Usou deste corpo para vingar-se do mundo, vingar-se de si mesmo, vingar-se do fruto concebido de uma tragédia sentimental. 
Afinal, papai você machuca tudo que ama. A vida toda tem machucado as pessoas ao seu redor, principalmente as quais você se importa. Todo o seu ser é destruição, dedos ácidos, olhar perdido, esbanjando cinismo, só de olhar me dói. 
Fez desta menina a encarnação da tua loucura, enfiou todas as suas dores em mim, estrangulou minha inocência, não suportou tamanha doçura sendo sangue do teu sangue, precisou costurar-me a tua maneira. Eis aqui o bode expiatório, metade sua, metade minha, por vezes não sei a quem recorrer. 
Sua voz martela incansável : Putinha, mentirosa, cínica, louca, safada, sem caráter, leviana, malvada, ruim, prostituta. Mas tudo que me dissestes papai, era você o tempo todo, projetou em mim os conceitos sobre si mesmo. 
Cuspiu um conceito de amor tão esdrúxulo, de fato não ama nem a si mesmo. Os fantasmas dos teus erros te perseguem, pois ele também me perseguem. Fez de mim, uma versão de si próprio. Por que tanto egoísmo? Mesmo que morra, vai permanecer vivo na minha alma, atormentando-me, perseguindo-me. 
Tua linda garotinha, papai. Jorrastes sêmen dentro dela, manipulou, quebrou, machucou, torceu, sufocou. Tarde demais para pedir perdão, tarde demais para arrepender-se, tarde demais para retomar o controle. 

Um beijo e um abraço da filhinha que o odeia!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desejo do Outro







- Olhe dentro dos meus olhos enquanto entra dentro mim!

Sua doçura parecia ter derretido sob meus braços, os olhos selvagens engoliam-me, curvava  os ombros para trás como se estivesse padecendo de algum mal, o corpo parecia elástico, a pele alva roçava-se enfurecidamente na minha.  As longas pernas entrelaçaram-me de um modo sufocante, mas prazeroso.
Teus gemidos eram melódicos, profundos, dolorosos, apaixonados. Olhei dentro dos olhos dela, sorri de canto, começava a ofegar,  ela sorriu de volta; sorriso faminto. Rasgava minha pele, unhas que mais pareciam lâminas, a dor intrínseca corroendo-me. Respirava alto, mordia os lábios, respondia minuciosamente a cada movimento meu. Exalava desejo, exalava loucura, exalava paixão.
Meu corpo pesava sobre o dela, os cabelos molhados de suor davam-lhe um ar desesperado, travava as pernas puxando-me com mais força, tinha medo de desmonta-la, uma tórrida dor estampada no seu olhar.
Aproximou os lábios do meu ouvido, quase acalentando-se, chamou meu nome repetidas vezes, a voz chorosa implorava-me, implorava a mim, você desejava meu corpo, minha alma. Paixão; é desejar o desejo do outro.
Apoiei as mãos no teu quadril, desvendei teu corpo com os olhos, um desejo voraz de possui-la de quatro, de tê-la só para mim.

- Me faça sua, mostre-me que sou sua. Diga-me que sou sua.

Esperava que eu ordenasse algo, esperava que eu pedisse algo, esperava que eu lhe dessa a segurança que eu desejava que ela fosse só minha. Segurei-a pelo quadril, coloquei-a de quatro, a visão das polpas rosadas era angelical, bunda carnuda. Dei-lhe um tapa, dois tapas, três tapas, movia o corpo quase em câmera lenta pra mim. Talvez eu estivesse apaixonado, talvez fosse só sua bunda redonda.


Um flerte com o prazer, era mais que prazer, era divino, minhas mãos apoiadas na lombar dela, os cabelos pretos balançavam de um lado para o outro, seus gemidos davam tesão, mas de minuto em minuto dava um pouco de angústia, de tão choroso. Olhou para trás, incitando-me a procura-la, eu jamais vi outra mulher desejar-me tanto. Curvei sobre ela, beijei-a, abafando os gemidos, afagando os seios, subi o tronco outra vez, enlaçando seus cabelos com os dedos, puxando-os. Não lembro-me da força, o êxtase já invadia-me, só lembro da expressão de dor, do seu clamor por mais.
 Levou uma das minhas mãos até seu sexo, abri os lábios  lentamente, fazendo carinhosos movimentos circulares. Arqueou a cabeça para trás, levantou o tronco, abracei-a por trás. Só precisei fazer aquilo por alguns segundos, até ouvi-la berrar meu nome outra vez. Suas pernas se contraíram. Mordisquei seu ombro de leve algumas vezes esperando que ela relaxasse, fui curvando-a para frente novamente, tudo em mim pulsava, foi como prender a respiração nos minutos anteriores, deixei a fera em mim tomar conta, a fera voraz  que ela insistia em dizer que eu era. Penetrei-a vorazmente, ecoando nos confins daquele corpo, balançava, gemia, suava, não tive dó naquele momento, nem por mim, nem por ela. Ambos queríamos o ápice do prazer, o ápice que de fato trás tanto sofrimento. Assim me pareceu, pois ela gritava, mas seu gritar era doce. A alma expandiu, o corpo explodiu, gozei... Soltei um grunhido, respirei fundo, ela me olhou por cima do ombro, quase que encantada, veio até mim, me beijou.  
 - Foda-me outra vez! O tempo corre... 

Sentei sobre os calcanhares, olhando-a nua, seios empinados, rosados também. Mais cansado que um burro, veio como uma leoa, empurrando-me. Deitou-me, encarava-me. 

- Enterre-se dentro de mim. 
- Literalmente ou psicologicamente? 
- Como quiser. 
- Você é louca. 
- Eu sei. 

Desceu os lábios até meu membro, resolveu tomar sorvete por ali, pois depois disso perdi a noção de tudo...Só me lembro do seu sexo molhadinho roçando na minha perna, a safadeza de um ninfeta, a delicadeza de uma menina, a loucura de uma prostituta. 
Nunca mais a vi, talvez ela tenha fugido de mim, talvez eu a tenha abandonado, talvez o mundo tenha conspirado contra nós, talvez tudo isso fosse um passatempo. Talvez tenha sido a melhor foda de nossas vidas, talvez ela seja uma puta, ou talvez ela quisesse me confundir, ou talvez ela quisesse ser minha.