sábado, 2 de maio de 2015

Uma carta para o universo; Gabriela


Eu a conheci quando seus sonhos ainda eram borbulhantes, quando seu sorriso era dócil, quando suas paixões eram inocentes e suas notas eram impecáveis, eu a conheci quando seu coração almejava ser uma grande campeã taekwondodista, 
Eu a amei desde o primeiro dia, eramos parceiras de um só coração, tínhamos uma simbiose que transcendeu os anos, acontecimentos e caos parecidos, as emoções no limite, o descontrole emocional, a loucura eminente, o joelho desgastado, o sonho do esporte destruído, a luta constante para não se jogar no abismo. 
Em nosso primeiro campeonato, lá estávamos, como adversárias, chorando, ninguém entendia o quão impossível soava estarmos uma contra a outra mesmo que apenas por alguns minutos, ela ganhou, será para sempre um dia inesquecível, não importando quantos anos se passem.
Ambas fomos do sorriso a decadência, de meninas estudiosas à adolescentes problemáticas, cada uma com seu motivo, com sua história, com tua dor enraizada, com a descrença na humanidade, os anos que se seguiram foram instáveis e turbulentos; remédios, psiquiatras, psicólogos, álcool, internações, diagnósticos intermináveis.
Amávamos o esporte mais que a nós mesmas, descobri sobre minha cartilagem desgastada, e seis meses depois lá estava ela na mesma sala de espera do especialista de joelho : ''Eu não vou fazer natação cara, não aguento mais fisioterapia e aqueles velhos chatos.''
Gabriela; sincera, selvagem e indomável, a versão real dos filmes americanos, um livro escrito com lágrimas, sangue e intensidade.
Com os anos ela se tornou mais dura, aparentemente mais dura, já não me abraçava e dizia eu te amo, mas me olhava da mesma forma enquanto fumava, com um imenso carinho e brilho no olhar, até nos momentos cruéis e mórbidos nossa conexão continuava.
Eu só queria ter segurado sua mão e lhe agarrado a vida, tomado mais porres, falado mal do sistema, visto mais filmes, feito trilhas, eu só queria ter lhe enchido de vontade de viver, queria ter lhe mostrado o quão especial e única ela era, o quão belo era seu sorriso sarcástico, o quão transcendental era sua inteligência.
Seu coração era mais cheio de amor do que ela imaginava, cabia o mundo, cabia qualquer coisa.
Eu seguirei lhe amando, relembrando, guardando as fotos, olhando a medalha da derrota mais doce de minha vida; pois você ganhou!
Eu te amo Gabriela Menezes, e sentirei saudades por toda uma vida!
Luto!

Homenagem a uma grande amiga que se foi. 

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