domingo, 9 de março de 2014

C.P

O coração despertou acelerado, as batidas são quase sufocantes, mágoa ou ansiedade? Não consigo levantar da cama, o porre da noite passada foi pesado, o doce não me deixou dormir, viajei acordada para uma nuvem de desastrosas sensações, você estava lá com teu olhar de desdém, mas não me olhou nos olhos, foi como um sopro de dor, gritei; não soube ao menos dizer meu nome.

Fumei a porra da maconha tentando aliviar a sensação, tentando ficar feliz, tentando fingir que não estava magoada, coloquei o doce no copo de bebida, e foram inúmeros copos! Dancei conforme a música todos esses dias, o nó na garganta foi dilacerante, o estômago se contorcendo, o peso nas costas, fiz de tudo pra sorrir. 

Não posso me basear na visão do próximo, mas, se soubesse o tanto que me esforcei para que me visse bela, o quão segurei o coração na boca para te encontrar, o quão espontânea fui na minha doçura, delicadeza que poucos conseguem alcançar, e os que conseguem sempre cospem nela!

Uma vida preenchida com paixões passageiras, febres fúteis e extremamente dolorosas, como poderia evitar? Como posso frear o compasso do meu coração? Esbravejo quando denominam-me masoquista, não é o que sou? Estapeando a própria face todos os dias, alimentando histórias com finais já previstos... 

Sofrer por alguém é tão clichê,  nunca me entendi, não me importo em contar tanta coisa, mas, as decepções amorosas guardo a sete chaves, como se fosse uma vergonha, mesmo sendo completamente natural. 
Os homens e mulheres que enfeitam meus textos, esses seres reais ou imaginários, quase nunca sabem como me afetam, engulo a dor e acabo cuspindo em outro lugar, outra hora, outra pessoa... 
Um orgulho desgraçado, quem sabe se todas as vezes rodasse a baiana e fizesse o devido drama para a pessoa em questão não ficasse mais aliviada, não vivesse  mais leve. Não digo o que penso, não faço o que devo, não esperneio e não choro no momento certo.
Estou sempre engolindo, engolindo dor, engolindo decepção, engolindo porra, engolindo chute na cara, engolindo desprezo, engolindo meu próprio egoísmo! 

Todo o meu ser é colocado em mãos erradas, mãos que eu escolho, cada detalhe é marginalizado, esquecido, vocês ou eu? De quem é a visão equivocada? Eu tenho andado bem confusa... 

Horrorizante como sou frágil, como se minha personalidade fosse um quadro com a tinta ainda fresca moldurado em cristal, fácil de quebrar, fácil de borrar, só  passar o dedo e mudar todo o contexto e equilíbrio do desenho.

C.P - Coração Partido.