segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desejo do Outro







- Olhe dentro dos meus olhos enquanto entra dentro mim!

Sua doçura parecia ter derretido sob meus braços, os olhos selvagens engoliam-me, curvava  os ombros para trás como se estivesse padecendo de algum mal, o corpo parecia elástico, a pele alva roçava-se enfurecidamente na minha.  As longas pernas entrelaçaram-me de um modo sufocante, mas prazeroso.
Teus gemidos eram melódicos, profundos, dolorosos, apaixonados. Olhei dentro dos olhos dela, sorri de canto, começava a ofegar,  ela sorriu de volta; sorriso faminto. Rasgava minha pele, unhas que mais pareciam lâminas, a dor intrínseca corroendo-me. Respirava alto, mordia os lábios, respondia minuciosamente a cada movimento meu. Exalava desejo, exalava loucura, exalava paixão.
Meu corpo pesava sobre o dela, os cabelos molhados de suor davam-lhe um ar desesperado, travava as pernas puxando-me com mais força, tinha medo de desmonta-la, uma tórrida dor estampada no seu olhar.
Aproximou os lábios do meu ouvido, quase acalentando-se, chamou meu nome repetidas vezes, a voz chorosa implorava-me, implorava a mim, você desejava meu corpo, minha alma. Paixão; é desejar o desejo do outro.
Apoiei as mãos no teu quadril, desvendei teu corpo com os olhos, um desejo voraz de possui-la de quatro, de tê-la só para mim.

- Me faça sua, mostre-me que sou sua. Diga-me que sou sua.

Esperava que eu ordenasse algo, esperava que eu pedisse algo, esperava que eu lhe dessa a segurança que eu desejava que ela fosse só minha. Segurei-a pelo quadril, coloquei-a de quatro, a visão das polpas rosadas era angelical, bunda carnuda. Dei-lhe um tapa, dois tapas, três tapas, movia o corpo quase em câmera lenta pra mim. Talvez eu estivesse apaixonado, talvez fosse só sua bunda redonda.


Um flerte com o prazer, era mais que prazer, era divino, minhas mãos apoiadas na lombar dela, os cabelos pretos balançavam de um lado para o outro, seus gemidos davam tesão, mas de minuto em minuto dava um pouco de angústia, de tão choroso. Olhou para trás, incitando-me a procura-la, eu jamais vi outra mulher desejar-me tanto. Curvei sobre ela, beijei-a, abafando os gemidos, afagando os seios, subi o tronco outra vez, enlaçando seus cabelos com os dedos, puxando-os. Não lembro-me da força, o êxtase já invadia-me, só lembro da expressão de dor, do seu clamor por mais.
 Levou uma das minhas mãos até seu sexo, abri os lábios  lentamente, fazendo carinhosos movimentos circulares. Arqueou a cabeça para trás, levantou o tronco, abracei-a por trás. Só precisei fazer aquilo por alguns segundos, até ouvi-la berrar meu nome outra vez. Suas pernas se contraíram. Mordisquei seu ombro de leve algumas vezes esperando que ela relaxasse, fui curvando-a para frente novamente, tudo em mim pulsava, foi como prender a respiração nos minutos anteriores, deixei a fera em mim tomar conta, a fera voraz  que ela insistia em dizer que eu era. Penetrei-a vorazmente, ecoando nos confins daquele corpo, balançava, gemia, suava, não tive dó naquele momento, nem por mim, nem por ela. Ambos queríamos o ápice do prazer, o ápice que de fato trás tanto sofrimento. Assim me pareceu, pois ela gritava, mas seu gritar era doce. A alma expandiu, o corpo explodiu, gozei... Soltei um grunhido, respirei fundo, ela me olhou por cima do ombro, quase que encantada, veio até mim, me beijou.  
 - Foda-me outra vez! O tempo corre... 

Sentei sobre os calcanhares, olhando-a nua, seios empinados, rosados também. Mais cansado que um burro, veio como uma leoa, empurrando-me. Deitou-me, encarava-me. 

- Enterre-se dentro de mim. 
- Literalmente ou psicologicamente? 
- Como quiser. 
- Você é louca. 
- Eu sei. 

Desceu os lábios até meu membro, resolveu tomar sorvete por ali, pois depois disso perdi a noção de tudo...Só me lembro do seu sexo molhadinho roçando na minha perna, a safadeza de um ninfeta, a delicadeza de uma menina, a loucura de uma prostituta. 
Nunca mais a vi, talvez ela tenha fugido de mim, talvez eu a tenha abandonado, talvez o mundo tenha conspirado contra nós, talvez tudo isso fosse um passatempo. Talvez tenha sido a melhor foda de nossas vidas, talvez ela seja uma puta, ou talvez ela quisesse me confundir, ou talvez ela quisesse ser minha.








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