terça-feira, 30 de julho de 2013

Longe

                       

                                   Não domino a escrita, não desejo-a, necessito-a. 

Engulo pílulas, silencio minha alma, fecho a única porta até lá, o coração enfraquece, vivo levemente amortecida, os sentimentos já não destroem, mas continuam machucando, feridas leves, sangram tão pouco, posso sobreviver, só não sei quero, os dias correm, repetidamente, o mesmo som, o mesmo gosto, o mesmo sol, me olham, sorriem, tudo parece tão bem... 
Não há amor, não há paixão, só há vontade, vem latente, gritante, mas morre, morre todas as noites, renasce pela manhã, vai esmorecendo.
O universo não faz muito sentido, por que as estrelas não falam comigo? Quando menina acreditava na vivacidade destas gigantescas esferas plasmáticas, imaginando-as com vida, sentimentais, intensas, felizes por terem o universo e o tempo para si. 
A vida por si só já é sofrimento, e de alguma forma, abracei-o tão fielmente, fundindo-me, há quem diga que passei a amá-lo, mentira!
Tinha medo da solidão, tenho medo da solidão, então; agarrei-o! Dediquei dias e noites, escrevi um borrão, um risco torto, uma menina fraca, pudera eu ter seguido outro caminho? Sim, quem dera tivesse mais maturidade, beijei o chão que pisava, solo abstrato e sangrento, sob as garras do sofrimento destruí a menina, doce menina, viva menina, lágrima alguma pode lhe trazer de volta! Não importa o que digas!
Escolheu seu fim, e o que restou? Memórias confusas, sentimentos efêmeros, pensamentos persistentes, um corpo adulto mergulhado em águas profundas, um corpo oco, que busca estar oco, fugindo do velho eu que insiste em voltar, repetir o hábito, se afogar... 
Ao gritar não; se afogará! Bate os pés e as mãos repetidamente, a expressão cansada, respira rápido, corre de si mesma, corre contra si mesma, olha a vida, ameaça chorar, mas não chora, ameaça viver, mas não vive. 
Lacunas que desejam ser preenchidas, cansaço sobre os ombros, melancolia, atípico da juventude, como quem sofreu por anos, voltou da guerra, perdeu um filho, ou sofre de uma doença terminal. Onde está minha vitalidade? Onde está minha paixão? Mesmo que rasgue ambos os lados da minha boca, e costure um sorriso, acabo imersa em sofrimento, em loucura, em sentimentos incontroláveis, traição, compulsão, inocência, medo, desejo, tristeza. 
Então, toda manhã, engulo duas pílulas. Toda noite, mais duas... Durmo tão bem, acordo tão bem, mas vivo tão fraca, tão alienada, sendo nocauteada por mim mesma sem sentir nada. Eu deveria escolher?  Eu deveria ter setenta e um anos? Ter filhos? Sorrir? Comer? Engordar? Lutar? Sonhar? Acreditar? Me formar? Morrer do nada ou morrer aos poucos como todo mundo? Viver loucamente? Viver inconsequentemente? Dizer adeus? Me importar mais? Me importar menos? 
E se eu pudesse ser uma máquina? As pessoas depositariam suas emoções em uma máquina? Uma máquina sem erros? As máquinas não machucam, não se machucam, elas só quebram e param. 
Fuja de mim, esqueça-me, uma névoa encobre-me agora, só fique se puder me fazer dormir, dormir para sempre, mas Deus, quem é que pode dormir para sempre? Prevalecer até a pele ficar rançosa? Não importando como? Seguindo o fluxo natural da vida, considerando que sou um animal. 
      Longe de mim por vontade própria, um dia talvez, eu seja um outro alguém.

2 comentários:

  1. O medo de ficar só, ou distante de quem lhe preenchia, é alimentada pela perca de esperança nas belezas da vida.
    Quando estamos sozinhos, algo doce vira amargo, porem continua doce, basta apenas enxergar. O doce é poder viver em um mundo repleto de chances, de aventuras, de amores, de ilusão e realidade, de esperança, de lutas, de vitorias, percas, alegrias, tristezas, amizades, inimigos, sorrisos e lagrimas..
    Cada "elemento" pesa de um lado, deixando sempre a balança estática.
    Não alimente o lado negativo da vida por apenas alguns desses elementos negativos estarem sendo mais frequentes, pois SEMPRE haverá o outro lado para manter o equilíbrio.
    Basta apenas querer e dar a chance para as coisas boas acontecerem.

    ( Eudes Azevedo ) .

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    1. OBS: nem lembrava que eu tinha conta neste blog!!! Olha minha carinha de novinho na epoca! kkkk

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