quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Seres; Escritores



Cá estou novamente cuspindo, cuspindo pateticamente minhas frustrações, escritores; seres carentes insaciáveis por atenção, dizem não e não, mas querem ser ouvidos, precisam de plateia para sobreviver.
Morrerão sem seus escritos, morrerão sem as pessoas imaginárias para aplaudir as belas palavras, tornam-se demônios quando lhes falta inspiração, capazes dos piores feitos para sentir aflorar na pele o escritor enlouquecido, no começo contentam-se em observar o mundo,  observando retiram a sustância para as prosas e poesias.
Com o passar do tempo só assistir a vida é insuficiente, viver medianamente também, sucedem-se os fatos, todos são narrados, não há mais o que escrever, o escritor decide enlouquecer, desenterra lembranças, vai destroçando o próprio coração, a mente é programada para devasta-lo, um ponto crucial para escrever, a desgraça!
A desgraça dos apaixonados, a desgraça dos desalmados, desgraça do suicida sem coragem de morrer, a desgraça dos depressivos, a desgraça da mulher abandonada, a desgraça dos loucos desvairados, desgraça dos doentes sem esperança, envereda-se pelo caminho mais tortuoso possível, sofre, dramatiza, sente, forja, rouba, mata, chora, torna-se obsessivo por meras palavras que nada irão resolver.
Arcadistas! Malditos arcadistas! Quando foi que forjei a mim mesma dessa maneira? Escrevi minha primeira poesia na quarta série, as letras disformes, o sorriso nos lábios, demorei tanto para terminar, no meio da épica criação fitei o teto com esperança de termina-la, uma voz soprou no meu ouvido, '' falta dor'' , naquele instante aprendi a aumentar minhas dores, a devastar meus amores, transformei noticiário de televisão em encenação, um... Dois...Três; fiquei louca mamãe!
Castiguem-me! Não leiam esse texto de merda, desprezem minhas palavras, tirem-me da insanidade de escrever, sem leitores hei de morrer como poeta, poeta de merda! Chega de tanto dramalhão, de tanta confusão.
Não posso fazer da minha vida um livro, não posso mais sair por aí magoando pessoas para sustentar  minha escrita.  Frankenstein das palavras, eu só queria inspiração, eu só queria atenção, e agora estou afogada em um mar de humilhação.                                                    
 - Eu não sou uma pessoa ruim, eu só tenho um gênio ruim! Não aplaudam essa apresentação inútil.                     
  As luzes se apagam, fecham-se as cortinas, ela foi desmascarada, boa noite, estás eternamente condenada!

2 comentários:

  1. vc n deveria nunca parar d escrever.Me identifico tanto em suas palavras

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  2. Uma das coisas mais belas que já li

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