quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dezoito Anos


Meu celular marcou meia-noite, é quinze de novembro, quase não consigo acreditar... Dezoito anos! Quantas vezes desejei esse dia? Quantas vezes fiquei com medo que esse dia chegasse? Já tive a ilusão que ele resolveria todos os meus problemas, já implorei para não estar viva até aqui, dias atrás eu olhei no espelho e quis ser criança outra vez, para sempre!
Dezoito anos, uma mulher, agora eu sou uma mulher. Vou ter que engolir o mundo? Porra! Eu não vou engolir esse mundo de merda, não importa o que me fizeram, eu  sobrevivi, quero ser uma adulta diferente, lutei para chegar até aqui.
Sabe, foi difícil, levantei quase todas as manhãs com vontade de viver e morrer ao mesmo tempo, caminhei tênue entre as duas coisas, lidei com uma criança traumatizada, com uma adolescente revoltada, mergulhei no inferno todos os dias da minha vida.
Em 575 dias amei tolamente, fui desprezada, fui amada, aprendi que contos de fada não existem, me afoguei em mágoas, descobri que pessoas e monstros são sinônimos, costurei coração retalhado, experimentei vinganças saborosas, trepei loucamente, ralei meu joelho,  retalhei minhas coxas, chutei moralismo barato, quebrei espelhos, bebi até cair, queimei dinheiro, li inúmeros livros, fumei ao som dos Beatles, estudei o suficiente para descobrir como as pessoas são ignorantes, virei filosofo de boteco, cuspi na cara da sociedade, enlouqueci, e só por isso sobrevivi.
Um dia que representa mil coisas, uma mulher de mil facetas, a garota ainda está em mim, ela sempre vai viver em mim, assim como a mulher não nasceu agora, não saiu do forno, ultrapassei os limites do tempo, nunca houve um limite, minha personalidade é um equivoco, um belo equivoco.
Falei, falei, a que conclusão cheguei? Quem eu sou agora? O que eu sou agora? O que vou fazer agora? Óbvio, continuarei sendo eu mesma, a mesma que nasceu quando meu corpo quase morreu, naquele bendito dia em que resolvi dar cabo da minha vida, foi quando nasci.
Naquele  dia minha alma tornou-se mulher, e hoje, como posso dizer, hoje é o primeiro aniversário dessa mulher, ela está feliz, ela sabe que a jornada é difícil, mas nada pode pará-la.
Nada pode conter minha alma de mulher selvagem. Agradeço a mim mesma por estar aqui, agradeço por cada minuto em que fui forte, agradeço por cada grito que dei, agradeço cada cuspida na cara de gente hipócrita, agradeço minha inteligência. Agradeço por ter nascido há um ano atrás.
Fui uma criança sem sorte, uma adolescente de sorte, e uma mulher que faz a própria sorte. Eu decido a porra do meu destino, eu faço o que eu quiser, desde que seja o melhor para mim, e a tabela de bom e mau também sou eu que decido.
                             Um único recado para uma pessoa muito especial:
- Eu sobrevivi, eu não desisti, sou melhor do que você, e eu desejo que você queime no fogo do inferno!

               Texto dedicado a minha amiga Luciana que está fazendo dezoito anos hoje.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Seres; Escritores



Cá estou novamente cuspindo, cuspindo pateticamente minhas frustrações, escritores; seres carentes insaciáveis por atenção, dizem não e não, mas querem ser ouvidos, precisam de plateia para sobreviver.
Morrerão sem seus escritos, morrerão sem as pessoas imaginárias para aplaudir as belas palavras, tornam-se demônios quando lhes falta inspiração, capazes dos piores feitos para sentir aflorar na pele o escritor enlouquecido, no começo contentam-se em observar o mundo,  observando retiram a sustância para as prosas e poesias.
Com o passar do tempo só assistir a vida é insuficiente, viver medianamente também, sucedem-se os fatos, todos são narrados, não há mais o que escrever, o escritor decide enlouquecer, desenterra lembranças, vai destroçando o próprio coração, a mente é programada para devasta-lo, um ponto crucial para escrever, a desgraça!
A desgraça dos apaixonados, a desgraça dos desalmados, desgraça do suicida sem coragem de morrer, a desgraça dos depressivos, a desgraça da mulher abandonada, a desgraça dos loucos desvairados, desgraça dos doentes sem esperança, envereda-se pelo caminho mais tortuoso possível, sofre, dramatiza, sente, forja, rouba, mata, chora, torna-se obsessivo por meras palavras que nada irão resolver.
Arcadistas! Malditos arcadistas! Quando foi que forjei a mim mesma dessa maneira? Escrevi minha primeira poesia na quarta série, as letras disformes, o sorriso nos lábios, demorei tanto para terminar, no meio da épica criação fitei o teto com esperança de termina-la, uma voz soprou no meu ouvido, '' falta dor'' , naquele instante aprendi a aumentar minhas dores, a devastar meus amores, transformei noticiário de televisão em encenação, um... Dois...Três; fiquei louca mamãe!
Castiguem-me! Não leiam esse texto de merda, desprezem minhas palavras, tirem-me da insanidade de escrever, sem leitores hei de morrer como poeta, poeta de merda! Chega de tanto dramalhão, de tanta confusão.
Não posso fazer da minha vida um livro, não posso mais sair por aí magoando pessoas para sustentar  minha escrita.  Frankenstein das palavras, eu só queria inspiração, eu só queria atenção, e agora estou afogada em um mar de humilhação.                                                    
 - Eu não sou uma pessoa ruim, eu só tenho um gênio ruim! Não aplaudam essa apresentação inútil.                     
  As luzes se apagam, fecham-se as cortinas, ela foi desmascarada, boa noite, estás eternamente condenada!