domingo, 14 de outubro de 2012

Cinderela Moribunda

Cinderela moribunda, hoje é dia de chuva, por que corres assim? Não deixaste um sapatinho de cristal, pior do que isso, deixaste seu cheiro no meu travesseiro, o gosto do teu corpo inteiro. Amo-te, devoro-te, possuo-te. É mesmo ruim? Você adoece em mim, esperneia feito criança, dança na destemperança. Observo seu choro que é um triste coro, não entendo, não posso entender o motivo de seres infeliz assim! Tem cabelos bonitos, olhos bonitos, coxas gostosas, és toda graciosa, deverias ser receosa? Vou sondando seus passos, tamanho o medo de que se perca nesta noite fria noite de incertezas... O que eu fiz? Que pecado cometi? Dizes meu amor, minha menina! Que doença te acometes todas as noites? Te arrebata o coração, dilacerando sua alma de forma tão cruel. Não fica calada, não traga sua raiva, cospe ela em mim, chuta o balde, diz impropérios, grita, quebra minha cara, minha casa, ou qualquer coisa assim, só não torna tudo difícil, não fica de cara passada, indiferente, displicente. Estou com medo, estou de orgulho ferido, sou homem de barba feita, estou ficando doido da cachuleta, não deveria ter ido embora batendo a porta, berrando por dentro, seus olhos incandescentes , dissimulados e descabidos não podem mentir, nem se esconder, o amor que me faz escravo é o mesmo que tudo vê, destrincha, cheira e enrabicha. Eu só queria um amor indulgente, já que somos tão divergentes, mas não, cá estou, perturbado, cansado e famigerado, sua menina mimada, rebelde e insensata.

Nenhum comentário:

Postar um comentário