quarta-feira, 27 de junho de 2012

Duplo Suicídio


Você e eu nascemos para morrer. Somos os poetas infelizes, descabidos e pessimistas. Agonizamos sob nossos corações dilacerados, não podemos ficar juntos, porque morreremos juntos. És o anjo maldito que venho procurando, é aquele que verá meu último respirar.
Prove o gosto amargo do meu mel, possua cada centímetro do meu corpo, presencie os suspiros mais vivos de uma mulher. O típico sopro de vida antes da morte. Um momento único para ambos, nenhum de nós sabe como é a sensação de desfalecer. Imagino uma mutação de sabores, um azedo no início, doce no decorrer, nostálgico no final.
No futuro não há nada além de uma vasta escuridão. Quem pode querer um final mais bonito e poético que esse? Romeu e Julieta do século XXI, Romeu e Julieta que não são amantes inocentes, muito menos possuem famílias divergentes. São dois jovens doentes, com almas de cavaleiros fustigados pela guerra. Falo de uma guerra espiritual, psicológica, incurável.
Me abrace, me beije, como se não houvesse amanhã, e não vai haver. Escute as respirações arfarem, as lembranças fundirem-se, teremos um ou dois minutos para decifrar os mistérios até então não revelados.
Nossa história não vai virar um livro, muito menos um filme. Seremos mais que frases feitas. Seremos a prova viva de como a vida pode ser bela e trágica. Doentia e temporária. Ou melhor a prova morta. A prova de que nenhuma história verdadeiramente humana pode acabar bem. E nem por isso se torna ruim.
As lágrimas secam, os corpos apodrecem, a paixão desfalece, as pessoas envelhecem, e a dor, ah , a dor! Essa vira poesia em mãos de poeta.
Não vai doer, ou talvez doa, entregue-se! O veneno vai selar nossos olhos, os lábios logo ficarão roxos, a pele pálida. Deitados na cama, caídos na cama, mortos. Que belíssimo sonho. O inferno chegou ao fim!


domingo, 24 de junho de 2012

Dor de Escritor.


E todo escritor é feito de dor. É assustador como as palavras fluem no papel quando a tristeza está destroçando meu peito. Possuo uma alma infeliz, ganhei de presente da vida, vez ou outra dá um nó na garganta, então preciso escrever, escrevo para sobreviver. É isso ou morrer, sou a menina de coração partido, a menina que nunca dorme, a que não sabe amar. Tudo que toco derrama lágrimas  tempos depois, pobres homens que tentam me fazer feliz, o único defeito de vocês é amar alguém como eu. O outro lado da moeda não é muito diferente, pobres dos homens que eu tento fazer feliz também. Tudo isso é tão clichê, textos repetitivos, sentimentos parecidos, meu sorriso está cansado, e a mente não para de sonhar. Os lábios desejam gritar, minha única salvação é de fato escrever. Sou como qualquer outro ser humano, ser infeliz não me faz melhor do que ninguém, só me torna mais literária, e talvez por isso as pessoas fiquem impressionadas. Palavras revelam mais do que deveriam, demonstram pequenas porções humanas, destroem nações e corações. Tudo que tenho para mostrar vocês já conhecem, só fingem que não viram, ou  veem de forma dócil, corriqueira, trágica? Sofrer não é uma fatalidade, é um dever, uma honra, uma sina. Você da e recebe, poupa e é poupado. Assim é a dor? Assim é o amor? Assim é a derrota? Seria tudo a mesma coisa? Chora no meu colo, e me deixe chorar no seu. Amanhã nenhum de nós estará aqui para contar história. O dia morre, a noite nasce, o dia nasce, a noite morre, e com ela todas memórias.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Indescritível



Um rosto tão lindo, mas uma alma tão suja.
Uma definição belíssima, poética, mas seria vaga demais. Estou falando de uma jovem de coração selvagem, nascida nos braços da dor, almejada pelas desgraças da vida. Cresceu isolada em suas próprias mentiras, fantasias criadas para suportar uma existência devastadora. Nascida para o sofrimento, princesa das trevas, humana de olhos pequenos, lábios agridoces, pele aveludada, dona de uma mente brilhante, uma mente genial, uma mente insana. Não sei lhe responder se ela nasceu louca, ou tornou-se louca, só posso dizer que ela tem seus motivos.  Magoada, nasceu magoada com o mundo. Mas escrava do mesmo, seu espirito de submissão é irracional, o mais perigoso nessa mulher, é que ela obedece a todos os seus sentimentos. Todos. Sem uma única exceção. Mata pelo ódio, morre pelo amor, fode pelo prazer, chora pelo remorso, destrói pela vingança, se esconde de vergonha, ri com ironias, e se enche de melancolia. É dócil, o sorriso tímido invade qualquer alma. Facilmente podem surgir lágrimas de sangue, é tão intensa que lágrimas corriqueiras não lhe servem, tem de ver sua pele chorar, as gotas de sangue escrevem tristes palavras, um livro sem páginas.