domingo, 27 de maio de 2012

Sra.Loucura


Abandonada. Abandonada por pessoas que se quer existem. São fantasias, fantasias vivas, minha mente criou histórias, companhias e sentimentos. Passei noites sendo abraçada, os lábios rudes, provei beijos intensos. Um longo devaneio. Uma garota sozinha dentro de um quarto, esses corações surgem das folhas dos livros, da tela  do computador, dos enredos dos filmes que assiste. A música lenta cria um clima agradável para uma bela noite de amor, trava grandes lutas corporais, viaja para os países mais distantes. A portas e janelas fechadas, Vanessa respirava seus próprios raios de sol, a própria neblina densa, perdida dentro de dias nublados. Todos frutos de sua imaginação, mas acredite, essa é uma mente arrasadora. Consegue criar ilusões sólidas, mais sinceras que muitos humanos por aí. Uma vida de mentira. Fisicamente de mentira. Pode parecer estranho, mentiras sinceras interessam essa estranha. Tudo isso tem gosto de paixão, cheiro de aventura, ela fecha os olhos e toca seu mundo, um mundo unicamente seu. Se existe dor nele? É claro que existe. Muita dor. Estamos falando de uma menina que nasceu nos braços da dor. E desenvolveu tamanha afeição por ela, tamanho amor, há muito tempo não consigo distinguir quem é quem. Mortalmente envolvidas. Me desviei do assunto, o fato é. Qual a razão de abandonar a realidade desse modo? De mergulhar tão profundamente dentro de si mesma? Simplesmente ignora a vida. Sim, acho isso um pecado. Só que se observar mais de perto, poderá ver as inúmeras cicatrizes em sua pele. Só tem dezesseis primaveras, como é que conseguiste tantas? Assopremos juntos! Seus olhos profundos encaram os meus, meio castanhos, meio verdes-floresta. Um olhar felino. Não é necessário nenhuma palavra. Todas suas memórias estão gritando em suas pupilas. Toco sua face de leve, uma humana sob minhas mãos, e que humana. Não, ela não é bonita, tem os traços meio desengonçados, mas tem uma história impossível de não chocar. De não arrepiar. De não fazer chorar. De não querer tocar. És a mais bela desgraça que já vi. Não posso seguir meu caminho, preciso levar essa menina comigo. Preciso salva-la de toda sua dor. Poucas pessoas chamam minha atenção, ou tocam meu coração. Diferente do que dizem, eu não construo ou destruo pessoas, não as domo, eu só pego nos braços esses humanos com dores demais, inteligência demais, desgraça demais. Eles acabam me fascinando. Ah, desculpe a falta de educação, ainda não me apresentei. Sou a loucura. Se me permite preciso levar Vanessa para minha casa, antes que a morte ou a esperança roube-a de mim.



Um comentário:

  1. É bom ver que voltou a escrever como antes, neste estilo que sempre admirei em você, sua escrita. Pois é assim que penso que você vencerá o mundo. Com sua escrita corrosiva aos olhos daqueles que não a merecem.

    Parabéns pela postagem!
    Continue assim, minha garota!

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