segunda-feira, 30 de abril de 2012

Exército de Menininhas

Somos a escória do mundo, perdemos a identidade, agora somos apenas números, a agulha penetra a veia, a droga percorre o sangue socorrendo minha alma destruída, subprodutos da sociedade. Sua pele se rasga como papel, a lâmina percorre as partes mais profundas do corpo. O álcool anestesia toda suas dores, é tão bom levitar sobre o nada. O sangue escorre do nariz enquanto o pó sobe para o cérebro, você está frenética, agora não é hora de morrer, e sim de matar. Nós precisamos disso para sobreviver. A insônia atormenta as noites, e apaga os dias, tudo deixa de ser real, o inferno, esse é o inferno. Todos nós temos histórias desgraçadas para contar, estamos doentes, somos o exército de menininhas abusadas, nossos lábios tem gosto de sexo, sexo sujo, o sêmen de vocês ainda escorrem por nossas coxas, nos chamam de adolescentes rebeldes,drogadas e perdidas.
Psicólogos querem apagar o estrago que esses homens fizeram, nos querem normais, nos querem calmas, nós entopem de remédios para evitar a bala no meio da testa de vocês, sexualizadas demais? Subiram em cima de nós antes mesmo completarmos dez anos, sufocaram nossos gritos, éramos apenas crianças, doces crianças, e agora? Somos demônios, os demônios do sexo, estamos prontas para atirar em suas cabeças, viemos arrancar seus membros com os dentes, tenho tamanho e ódio o suficiente para acabar com você, você não tem direito ao grito, ninguém pode escutar você, assim como ninguém pode me escutar anos atrás. Novas e desgraçadas, nós somos muitas, nós somos milhares, crianças que não tiveram voz, mulheres com facas nas mãos, assumo minha insanidade, insanidade criada por mãos entre nossas pernas. Não implore para deus, pois temos muito ódio dele também, jamais nos ouviu, nunca ouviu nossas preces, ele preferiu ficar brincando de fazer igrejas e ouvindo reza de mulheres ignorantes que só querem  ir para o céu, que desejam que seus maridos saibam meter direito nelas. É o fim para vocês, e o fim para nós também, os demônios morrem junto com seus criadores. Uma bala na sua testa, uma amputação no seu membro e chamas no seu corpo, e restou uma bala na minha boca.

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