sexta-feira, 20 de abril de 2012

Despedida

As palavras aqui escritas, são verídicas para meu coração, um amanhã tão cinza,está mesmo com gosto de partida. O café está no bule,os pães frescos na mesa,mas a minha presença dissolveu-se. Desculpe por não dizer adeus, de uma maneira mais doce, sinto em dizer, não conseguiria ir embora enfrentando seus cativantes e tristes olhos.
Eu sempre disse que você tinha de mudar seu jeito louco, garota eu te amo, mas é demais para mim sua autodestruição. Quantas noites passei em claro com suas fugas, o aperto no peito de lhe encontrar sangrando no chão do banheiro.
A cama vazia nunca consolou minhas lágrimas em suas noites de internação, eu estava sozinho,  você também estava sozinha. Uma noite enquanto estava bêbada, perguntei se lhe fazia feliz, seus lábios irônicos e sinceros com o álcool responderam :
- Ninguém pode ser feliz com alguém, se não é feliz consigo mesmo.
Hoje sei que estava certa! Tentei de todas as formas, demorei para entender os seus motivos, ou melhor os motivos do seu transtorno. Muitas vezes agi como um idiota, desculpe, só estava procurando certezas, e você jamais será uma certeza!
Oscila de uma maneira tão cruel, as vezes parece amar a crueldade que faz consigo mesma. Lembranças! As vezes temos de esquecer as boas lembranças, é mais saudável, para ir em frente, você não precisa esquecer o que foi ruim, e sim o que foi bom, é isso que te prende ao passado, as pessoas, o que me prende a você.
Foi difícil fazer essa escolha, mas vou ama-la, assim posso me apoiar quando sua falta começar a me esmurrar, e os nós na garganta aumentarem. Você é uma pessoa maravilhosa que infelizmente se deixou enlouquecer, e eu preciso partir antes para não ir junto.
Eu te amarei todas as noite, principalmente as de inverno, sei que estará no quarto vendo filmes abraçando seu  travesseiro, e é essa a imagem que quero ter em minha mente, de seu sorriso meigo,e não de seu olhar corrosivo.
E vou carregar esse medo, medo de um dia ver você na foto de um jornal estirada no chão, caída de um prédio, vítima da própria bala, ou presa em um hospício infernal...
Adeus, um beijo de quem te ama, mas não pode continuar ao lado de sua natureza.

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