domingo, 9 de dezembro de 2012

Vida : Diálogo 1

- Não posso entender June. Você vive me surpreendendo. Seus olhos são tristes, no máximo se tornam serenos. Falta paixão, falta vivacidade, falta alegria. Por que insiste em viver?

- Eu estou tão viva. Viva de todas as maneiras possíveis, por isso meus olhos são tristes, a vida é triste meu caro, não tem sentido, e apunhala todo mundo pelas costas. O grande mistério da vida é suportar a dor, é forçar os músculos da boca para sorrir no momento em que se está completamente destroçado, estamos sempre destroçados, aniquilados, a dor é rainha de todas as almas.

- E a felicidade?

- A felicidade é um grande engano, charlatanismo. Felicidade do latim felicitas vem de felix, ditoso, afortunado, feliz. Sou afortunada por tudo que vivi, mesmo nas experiências mais massacrantes, elas me deram a visão de mundo que tenho hoje. Sou ditosa, tenho muita sorte, pense bem, já fiz coisas horríveis comigo, sobrevivi, meu corpo é forte, minha alma continua esperneando, na real concepção da palavra eu sou feliz, na visão distorcida da sociedade, sou uma louca deprimida. Ponto de vista, o problema da nossa sociedade é considerar certo o que a maioria faz. A maioria não erra, quer frase mais idiota. '' A voz do povo é a voz de deus.''

- Desgraçada. Devia ter me falado isso antes... Antes que eu tentasse me matar com veneno, abrisse um rombo no estômago. E uma infecção por H. Pylori   causasse câncer.

- Você se esforçou para morrer, isso é uma forma de viver, só não é a melhor. Algumas pessoas amam a morte, só que todo amor queima, incendeia, esfumaça, por fim morre. E o seu em que pé está?

- Quero morrer. Viver é um ato heroico, e eu não sou um herói.

- Que assim seja, não sei consolar pessoas, a realidade insiste em queimar meus lábios. A vida é assim, é escolha nossa vive-la ou não, não existe guichê para reclamação. Sou apaixonada por você, e você é apaixonado pela morte.

- Você também era.

- Não, não sou apaixonada pela morte, no entanto, sou verdadeiramente apaixonada pela dor, o que me obriga escolher a vida.

- Parti seu coração.

- Já parti tantos que perdi a conta há muito tempo, é comum. O que seria da arte sem corações partidos?

- Você tem resposta para tudo. Me diga, o que é o amor?

- Sei três coisas sobre o amor. Não é eterno, é puro sofrimento e faz parte da essência humana. Não tenho medo do amor, entrego-me, pois sei que amor chama, depois fumaça.
O amor nasce e morre como todos nós, diferente do que pensam ele não nos liberta da solidão, mesmo quando amamos, continuamos sozinhos, ninguém pode preencher você. Ninguém foi destinado para você, não existe um destino, caminhamos descontrolados pela estrada da existência, pessoas se cruzam, mas uma hora seguem caminhos diferentes.

- June, por que não diz logo que somos todos completamente loucos? 

- Não tive tempo.

- A cada dia que passa você vem perdendo o que resta da sua fragilidade, ela é tão bonita. 

- Fragilidade e vida não combinam. É necessário força para aguentar tantas feridas, só os fortes sobrevivem.

- O mundo tem sete bilhões de pessoas, com toda certeza nem todas são fortes, e estão vivas. 

- Respirar não significa viver.

- Significa que já estou morto? 

- Só você pode responder.

A jovem deu um breve sorriso, pousou uma das mãos no rosto dele, acariciou por alguns segundos :

- Independente do que escolher, espero que ame sua escolha.

- Você faz veneno ter gosto de chá de framboesa. 

Soltou um riso baixo, um riso quase melancólico, levantou-se devagar mantendo os olhos fixados nos traços pálidos do jovem, era hora de dizer adeus, no final cada um faz sua escolha sozinho.

- Minha avó dizia que a consciência da morte nos faz divagar.

- Só porque falei do chá de framboesa? 
- Sim.

-  É o sabor mais suave e adocicado que consegui imaginar. 

- Bobo, eu preciso ir.

Andou até a porta pensando sobre o que pensar, autoconsciência é mais complicado do que se imagina, tentar ser imparcial ao ver o próprio coração se debatendo como um peixe fora d'água é no mínimo angustiante.

- Será que eu consigo desligar os aparelhos sozinho? 

Cerrou os lábios, colocou a mão na maçaneta, antes de vira-la olhou para trás.

- Consegue, espere que eu saia. Pense na vida com sabor de framboesa, adeus.

Girou a maçaneta, puxou a porta e saiu da sala. Ficou alguns segundos parada do lado de fora da sala até escutar o apito estridente e contínuo do monitor cardíaco.

- Algo que esqueci de mencionar sobre o amor : Ele não salva ninguém.


Saiu andando pelo corredor principal até desaparecer por uma entrada qualquer. Era hora de desfrutar da própria dor para continuar vivendo, ela sempre continua, engole a fragilidade e segue seu caminho. Viver é assim, sofrer da melhor maneira possível, há quem acredite em outras hipóteses, pois bem, cada qual com seu ideal.  



sábado, 8 de dezembro de 2012

Imaginação; de férias
Mente; cansada
Poeta; sem talento
Palavras; inúteis
Caderno; vazio.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dezoito Anos


Meu celular marcou meia-noite, é quinze de novembro, quase não consigo acreditar... Dezoito anos! Quantas vezes desejei esse dia? Quantas vezes fiquei com medo que esse dia chegasse? Já tive a ilusão que ele resolveria todos os meus problemas, já implorei para não estar viva até aqui, dias atrás eu olhei no espelho e quis ser criança outra vez, para sempre!
Dezoito anos, uma mulher, agora eu sou uma mulher. Vou ter que engolir o mundo? Porra! Eu não vou engolir esse mundo de merda, não importa o que me fizeram, eu  sobrevivi, quero ser uma adulta diferente, lutei para chegar até aqui.
Sabe, foi difícil, levantei quase todas as manhãs com vontade de viver e morrer ao mesmo tempo, caminhei tênue entre as duas coisas, lidei com uma criança traumatizada, com uma adolescente revoltada, mergulhei no inferno todos os dias da minha vida.
Em 575 dias amei tolamente, fui desprezada, fui amada, aprendi que contos de fada não existem, me afoguei em mágoas, descobri que pessoas e monstros são sinônimos, costurei coração retalhado, experimentei vinganças saborosas, trepei loucamente, ralei meu joelho,  retalhei minhas coxas, chutei moralismo barato, quebrei espelhos, bebi até cair, queimei dinheiro, li inúmeros livros, fumei ao som dos Beatles, estudei o suficiente para descobrir como as pessoas são ignorantes, virei filosofo de boteco, cuspi na cara da sociedade, enlouqueci, e só por isso sobrevivi.
Um dia que representa mil coisas, uma mulher de mil facetas, a garota ainda está em mim, ela sempre vai viver em mim, assim como a mulher não nasceu agora, não saiu do forno, ultrapassei os limites do tempo, nunca houve um limite, minha personalidade é um equivoco, um belo equivoco.
Falei, falei, a que conclusão cheguei? Quem eu sou agora? O que eu sou agora? O que vou fazer agora? Óbvio, continuarei sendo eu mesma, a mesma que nasceu quando meu corpo quase morreu, naquele bendito dia em que resolvi dar cabo da minha vida, foi quando nasci.
Naquele  dia minha alma tornou-se mulher, e hoje, como posso dizer, hoje é o primeiro aniversário dessa mulher, ela está feliz, ela sabe que a jornada é difícil, mas nada pode pará-la.
Nada pode conter minha alma de mulher selvagem. Agradeço a mim mesma por estar aqui, agradeço por cada minuto em que fui forte, agradeço por cada grito que dei, agradeço cada cuspida na cara de gente hipócrita, agradeço minha inteligência. Agradeço por ter nascido há um ano atrás.
Fui uma criança sem sorte, uma adolescente de sorte, e uma mulher que faz a própria sorte. Eu decido a porra do meu destino, eu faço o que eu quiser, desde que seja o melhor para mim, e a tabela de bom e mau também sou eu que decido.
                             Um único recado para uma pessoa muito especial:
- Eu sobrevivi, eu não desisti, sou melhor do que você, e eu desejo que você queime no fogo do inferno!

               Texto dedicado a minha amiga Luciana que está fazendo dezoito anos hoje.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Seres; Escritores



Cá estou novamente cuspindo, cuspindo pateticamente minhas frustrações, escritores; seres carentes insaciáveis por atenção, dizem não e não, mas querem ser ouvidos, precisam de plateia para sobreviver.
Morrerão sem seus escritos, morrerão sem as pessoas imaginárias para aplaudir as belas palavras, tornam-se demônios quando lhes falta inspiração, capazes dos piores feitos para sentir aflorar na pele o escritor enlouquecido, no começo contentam-se em observar o mundo,  observando retiram a sustância para as prosas e poesias.
Com o passar do tempo só assistir a vida é insuficiente, viver medianamente também, sucedem-se os fatos, todos são narrados, não há mais o que escrever, o escritor decide enlouquecer, desenterra lembranças, vai destroçando o próprio coração, a mente é programada para devasta-lo, um ponto crucial para escrever, a desgraça!
A desgraça dos apaixonados, a desgraça dos desalmados, desgraça do suicida sem coragem de morrer, a desgraça dos depressivos, a desgraça da mulher abandonada, a desgraça dos loucos desvairados, desgraça dos doentes sem esperança, envereda-se pelo caminho mais tortuoso possível, sofre, dramatiza, sente, forja, rouba, mata, chora, torna-se obsessivo por meras palavras que nada irão resolver.
Arcadistas! Malditos arcadistas! Quando foi que forjei a mim mesma dessa maneira? Escrevi minha primeira poesia na quarta série, as letras disformes, o sorriso nos lábios, demorei tanto para terminar, no meio da épica criação fitei o teto com esperança de termina-la, uma voz soprou no meu ouvido, '' falta dor'' , naquele instante aprendi a aumentar minhas dores, a devastar meus amores, transformei noticiário de televisão em encenação, um... Dois...Três; fiquei louca mamãe!
Castiguem-me! Não leiam esse texto de merda, desprezem minhas palavras, tirem-me da insanidade de escrever, sem leitores hei de morrer como poeta, poeta de merda! Chega de tanto dramalhão, de tanta confusão.
Não posso fazer da minha vida um livro, não posso mais sair por aí magoando pessoas para sustentar  minha escrita.  Frankenstein das palavras, eu só queria inspiração, eu só queria atenção, e agora estou afogada em um mar de humilhação.                                                    
 - Eu não sou uma pessoa ruim, eu só tenho um gênio ruim! Não aplaudam essa apresentação inútil.                     
  As luzes se apagam, fecham-se as cortinas, ela foi desmascarada, boa noite, estás eternamente condenada!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Amargura Eterna


                   
Há em mim um vazio imensurável, uma insatisfação doentia, todos os dias acordo com vontade de nunca ter dormido, com vontade de nunca ter existido realmente. Há em mim uma dor constante e sem motivo, toda e qualquer felicidade parece me definhar, sorrisos entristecem-me, risos tornam-se agonias em meu peito, sou pura em amargura, quase que a própria, o menor resquício de esperança, ternura ou alegria irrita-me de um modo desumano.
Tenho vontade de partir ao meio os bebês risonhos, vontade de arrancar os corações dos casais apaixonados e espremê-los até virarem apenas uma carniça destroçada. Tenho ainda mais vontade de azedar os lábios dos felizes, ou melhor dos pseudo-felizes, dos que fingem para si mesmos de forma brilhante e incontestável, gostaria de dissecar as memórias de cada um, para então vomita-las enojada. 
Tenho vontade de estuprar as virgens puritanas, vontade de espalhar para todas as crianças que os monstros debaixo da cama são na verdade seus pais.
Tenho uma vontade mórbida de que uma doença mate todos nós, uma vontade melancólica de que as pessoas percam todos que julgam amar. 
Desejo que as flores murchem, que o bonito fique feio, que o sol perca seu brilho, desejo poesia sem rima, comidas sem sal, uma vida sem boas lembranças, um mar sem peixes, uma igreja sem fiéis, que haja somente solidão para todos os homens, que eles a enxerguem verdadeiramente,  pois ela está entre nós,  está em todos nós, eu sou uma medium nessa instância, vejo as solidões vagando no mundo. 
Deito na cama mas não posso dormir, olho no espelho e não posso sorrir, meu semblante não nega meu estado de espírito, o corpo já não luta mais, fios de cabelo caem dia após dia sem parar, minha boca ganha um contorno mais triste, e meus olhos um tom mais agressivo, mais sensível a realidade mentirosa por trás da nossa vida, da nossa morte, da nossa existência.  
Eu não posso agradecer por existir, eu sou um cuspe, um cuspe sarcástico e entediado de deus, não fui consultada, não há sentido na minha existência. E o pior de tudo, eu sou como todo mundo, estou na mesma embarcação furada, vou nadar e nadar até a maré sem nunca conseguir alcançá-la, mas também não vou morrer.
Não é que eu deseje o mal de todos, eu só não aguento mais existir desse modo mesquinho, vazio, e realista. Eu não quero mais existir de qualquer modo, o que mais me angustia é almejar algo tão impossível.  Nunca haverá fim. Serei eternamente um monstro amargurado e condenado. Sangue carmesim, que dor sem fim! 

 

domingo, 14 de outubro de 2012

Cinderela Moribunda

Cinderela moribunda, hoje é dia de chuva, por que corres assim? Não deixaste um sapatinho de cristal, pior do que isso, deixaste seu cheiro no meu travesseiro, o gosto do teu corpo inteiro. Amo-te, devoro-te, possuo-te. É mesmo ruim? Você adoece em mim, esperneia feito criança, dança na destemperança. Observo seu choro que é um triste coro, não entendo, não posso entender o motivo de seres infeliz assim! Tem cabelos bonitos, olhos bonitos, coxas gostosas, és toda graciosa, deverias ser receosa? Vou sondando seus passos, tamanho o medo de que se perca nesta noite fria noite de incertezas... O que eu fiz? Que pecado cometi? Dizes meu amor, minha menina! Que doença te acometes todas as noites? Te arrebata o coração, dilacerando sua alma de forma tão cruel. Não fica calada, não traga sua raiva, cospe ela em mim, chuta o balde, diz impropérios, grita, quebra minha cara, minha casa, ou qualquer coisa assim, só não torna tudo difícil, não fica de cara passada, indiferente, displicente. Estou com medo, estou de orgulho ferido, sou homem de barba feita, estou ficando doido da cachuleta, não deveria ter ido embora batendo a porta, berrando por dentro, seus olhos incandescentes , dissimulados e descabidos não podem mentir, nem se esconder, o amor que me faz escravo é o mesmo que tudo vê, destrincha, cheira e enrabicha. Eu só queria um amor indulgente, já que somos tão divergentes, mas não, cá estou, perturbado, cansado e famigerado, sua menina mimada, rebelde e insensata.

sábado, 22 de setembro de 2012

Tolo do Amor

As pessoas projetam no amor algo tão fantástico e divino, quando na verdade é tão humano e simplório. 
Diversos relacionamentos frustados, solidão, promiscuidade, a busca incessante por um sentimento indecifrável, o mal de todos é procurar no amor a cura para todos os males...
Amor não é milagre, amor é construção, amor é fogo, amor é paciência, amor é virtude, amor é clichê. Não é anjo alado, deus dourado, ou qualquer coisa assim... 
Ele passa, você não vê. Você vê , mas não entende. Entende, mas não cultiva, que maldito filme fez você acreditar que amor é estrela de cinema? Ele é só escritor de gaveta, filósofo de janela, psicólogo de bar. 
Bate à porta como um mendigo esfomeado, um pecador martirizado, um deus injustiçado, você fecha a cara, desmerece, chora, diz que sua vida é uma merda, você é o tolo dos contos de fada, o tolo da vida, o tolo da razão, o tolo das pessoas, o tolo da paixão, misericórdia pessoa! Seja o tolo do amor! 

domingo, 9 de setembro de 2012

Devoradora de Corações


 - Você tem o direito de ficar com raiva.
 - Nunca sentirei raiva de você... Você já faz isso muito bem, disse entristecido.
 - O que eu faço muito bem? Ter raiva de mim?
 - Você tem raiva de si mesma, por isso afasta todos que te querem bem.
Os olhos inundaram-se até transbordarem, cerrou os dentes para aguentar as pontadas que sentia no peito, a ré tinha um semblante triste, desses de fazer pena, desses de destroçar qualquer sorriso. O homem chorava junto, abandonado pela amada por um motivo abstrato, confuso, tão crucial para a jovem.
- Adeus! Levantou-se com lágrimas nos olhos, seus passos eram digno de um homem que carregava um fardo de dor nas costas. Jamais entendeu o porquê de tanto pesar ao mandar as pessoas embora de sua vida, estaria ela equivocada? Amou a todos e não sabia?
Olhou apenas uma vez para trás, seus olhos se encontraram, havia dor e culpa dentro dela.
- Eu estou cansada... Cansada de ser devoradora de corações. Cravou as unhas no pescoço descendo-as brutalmente pela pele exangue, as unhadas eram vermelhidões ardidos.
Foi assim que Louise, a devoradora de corações, a jovem mais viva e intensa de Vienne foi esmorecendo, enjaulou-se solitariamente em um mundo só seu. Os livros na cabeceira da cama foram aumentando, álcool, cigarros, não se permitia ver a luz do dia, nem ouvir o canto dos pássaros, não sorria, não chorava.
Os pais da jovem já não sabiam mais o que fazer, abandonara a escola, o hipismo, não saia de casa, passava horas a fio dentro do quarto. Comia, bebia, e fumava demais, inúmeras vezes Dona Heloísa encontrou a jovem dormindo no próprio vomito. Não havia uma explicação aparente para tudo aquilo.
Apesar de desde criança ter sido muito empática, nostálgica, melancólica, era uma pessoa mentalmente saudável, ou parecia. Esse parecia destrói tantas vidas...
Recusava qualquer tratamento, apenas dizia não e se retirava, uma apatia aparente tomava conta de Louise.
- Você está doente minha filha.
- É claro que estou! Estou com um caso grave de desnutrição, há tempo não devoro meu alimento essencial :  corações partidos!
- Está ficando doida da cabeça, se aprume pelo amor de Deus menina! Você tem  uma semana para sair desse quarto de vez e ir viver, ou vou interna-lá meu bem!
Não estava disposta a quebrar o pacto que fizera consigo mesma, mas naquela noite com muitos esforço os pais a tiraram de casa. Seus passos eram lentos, em meses não ousou gozar dos prazeres da noite, a luz da lua ofuscou seus olhos, o solstício de verão trazia consigo noite estrelada e chuva gostosa.
Louise tinha um encantamento natural típico de piscianos, o corpo encharcado junto dos lábios avermelhados atraiam muitos olhares dentro da lanchonete, foi até o balcão pedir uma dose de vinho quando foi surpreendida por uma voz.
- Olha se não é a bela flor muda de Vienne!
A voz forte era de um jovem homem loiro, Pierre era psicólogo na clínica de saúde mental da cidade, Louise fora designada para ser sua paciente, no entanto não aparecia nas consultas.
- Viver isolada em uma torre não vai te poupar dessa dor maldita!
- Que amável. Sorriu ironicamente.
Depois de duas horas de conversa ela descobriu que é impossível viver sem sentir, sem amar, sem fazer amar. É dada a hora drástica, enquanto caminhava pela avenida pensava em um jeito de acabar com tudo, não queria morrer, não queria viver. E o mais importante :  Não queria sentir. Diabos de menina tola!
Parou no meio da calçada por alguns minutos, caminhou até a guia, era o limite do sentir.
 - Como dizia Álvares de Azevedo. '' Deixo a vida como deixo o tédio.''
Fechou os olhos abraçando a rua, jogou-se em direção a um carro.
Meus caros leitores, poderia chamar de sorte o fato dela sobreviver, mas não! Ela nunca quis morrer, ou teria se jogado na frente de um caminhão. Queria matar suas dores, seus medos, e principalmente suas lembranças.
O carro estava em uma velocidade mediana, a colisão rendeu-lhe pontos na cabeça, algumas fraturas, e uma internação psiquiátrica. 

O residente de psiquiatria deixou o diário sobre a mesa voltando-se para seu superior.
- É curioso o modo que ela fala sobre si mesma. Há quanto tempo ela está aqui?
- Três anos.
- Por que três anos? Não é um caso tão grave senhor.
- Desde que acordou do breve coma Louise não pronunciou uma única palavra, isso dificulta muito seu tratamento. E sempre que observamos uma notável melhora ela piora novamente. Minha conclusão é :

Ela conseguiu o que queria, não morreu, mas conseguiu um meio para não sentir tão afogueadamente. Aqui não precisa interpretar papéis, não sofre com dores de amor, não tem decepções, não vê a lamúria do mundo, não precisa provar do amargo gosto da realidade. Passa os dias lendo, escrevendo, montando quebra-cabeças, vivendo da própria fantasia. Meu caro, a única doença de Louise é seu coração. E sua mente foi tão genial que aprendeu a sufoca-lo, esconde-lo, mata-lo de alguma forma. Preciso ir, boa sorte! Deves ir vê-la, não a force para que fale, da última vez que fiz isso ela me atacou com um garfo, apesar das vistorias nunca se sabe. Até mais tarde.
Johnny dirigiu-se para o quarto da paciente, observou-a por alguns minutos, avaliava sua expressão corporal, bateu na porta que estava aberta.
- Posso entrar senhorita?
Não houve resposta, levantou os olhos castanhos-esverdeados para o médico. E não gostou da bondade nos olhos dele, era tão mais fácil tocar seu coração daquele modo, abaixou a cabeça.
- Como é seu nome mocinha?
- Me chamava ex-devoradora de corações até você chegar.
Ficou surpreso em ouvir sua voz, após três anos ela escolhera falar logo com ele. Tinha olhos adoráveis, uma beleza encantadora, longos cabelos negros, lábios corados. A história recomeça. 

" Sou a devoradora de corações, eu amo e não sou amada. Sou amada e não amo. Na maioria das vezes a segunda opção, e a mesma me faz sofrer mais que a primeira. Meu coração é uma planta carnívora, intensa, viva, pulsante. Homens, mulheres, animais, livros, músicas, lugares, são todos vítimas do meu amor e desamor repentino. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Meus textos não foram escritos para serem amados.
    Vomitados, cuspidos, escarrados!
É o pior de mim em uma prosa sem fim.

domingo, 19 de agosto de 2012

Instinto Mortal - Parte 1


Um caso com poucas páginas e muitas dúvidas, havia um ponto de interrogação no final de cada frase. Extrema é uma pequena cidade no sul de minas escondida na Serra da Mantiqueira, os habitantes apesar de aterrorizados permaneciam calados, dois agentes estavam desaparecidos, respirou fundo cheio de pesar, era sua vez de entrar em ação.
Saymon trabalhava no departamento de investigação em Belo Horizonte, foi aconselhado a arquivar o caso, pessoas desaparecidas em uma cidade esquecida não parecia um problema para polícia. No entanto seu instinto por justiça falava mais alto, sua mente amarga suspeitava de algo verdadeiramente obscuro.
Decidido a revolver o caso sozinho deixou o escritório, pediu licença de duas semanas alegando problemas pessoais, era um detetive brilhante, e como todo homem brilhante vivia na tênue linha entre a genialidade e a loucura. Partiu logo que amanheceu, urgência era uma característica da sua personalidade excêntrica.
Passou oito horas dirigindo, observava a paisagem pela janela, montanhas, cachoeiras, cavalos, de alguma forma isso o extasiava, a natureza era o início de tudo, era a única coisa que podia explicar e exemplificar seu instinto animal rugindo no peito.
Hospedou-se no principal hotel da cidade, era tudo bem simplório, nunca fora um homem de luxo, deixou suas malas no quarto, desceu para recepção tomando uma grande xícara de café amargo, precisava vencer o cansaço, tinha muito trabalho a fazer.
A pista mais crucial era um casarão há um quilômetro do centro, passou os dois primeiros dias fazendo perguntas para as famílias dos desaparecidos, depois começou a fazer investigações com pessoas aleatórias.  A cada dia que passava as coisas ficavam mais confusas, todas as vítimas eram do sexo masculino, idades aleatórias, todos ali eram religiosos e místicos em demasia, no olhar de cada um havia um medo irrefutável. Medo do sobrenatural, acreditavam em lobisomens, mulas-sem-cabeça, espíritos, fúria divina, encerrou as perguntas dirigindo-se para o casarão.
A estrada de terra levantava uma poeira desgraçada, de longe avistou o casarão que ficava em uma pequena fazenda, desceu do carro observando o local ao todo. Bonito, abandonado, gelado! Uma senhora alimentava os cavalos debaixo de uma grande árvore.
Fechou o zíper da jaqueta de couro, tinha trinta e dois anos, um homem de beleza desgastada, porém ainda  tirava os ar de muitas mulheres com seu olhar misterioso, a expressão séria, possuía um porte forte, seu maior charme era sua amargura, lobo solitário.
- Com licença senhora, poderia falar alguns segundos comigo?
A velha levantou a cabeça com uma expressão triste no rosto, ela sabia o que acontecia naquela casa, foi uma certeza que Saymon captou em seus olhos rapidamente.
- O que você quer meu filho?
- A senhora mora aqui? Sou investigador, pessoas desapareceram, e todas elas foram vistas por aqui, ou vieram visitar esse lugar antes disso.Posso entrar no casarão?
A mulher aparentava ter mais de sessenta anos, levou a mão enrugada até a face do homem, fitou seus olhos de forma profunda.
- A questão não é entrar, e sim nunca sair meu filho! Vá embora, ninguém pode lutar com o diabo vestido de anjo! Sua voz tinha um tom desesperado, ninguém seria capaz de convence-lo a desistir. Aprendeu a nunca desistir. Abriu um sorriso amarelo, trinta minutos depois estava subindo as escadarias. A grande porta de madeira estava entreaberta.
- Boa tarde. Tem alguém em casa?
Foi adentrando a sala devagar, móveis clássicos, decoração colonial, poeira por todos os lados. Chamou várias vezes, ninguém apareceu, deu-se por vencido começando a explorar a sala, uma vasta coleção de livros na estantes do grande cômodo, caminhava lentamente, atento a alguns títulos quando foi surpreendido por uma voz dócil.
- Boa tarde tio! O que quer aqui?
Saymon deparou-se com um corpo esguio, olhos intensos, sorriso angelical, longos cabelos dourados, olhos verde-floresta. Traços delicados, não pode evitar observa-la por inteiro, pele alva, cintura delineada, não podia ter mais que dezesseis anos. A voz foi engolida por uma sensação monstruosa, um medo que ele não costumava sentir.
- Olá senhorita! Sou investigador.
- Veio atrás dos desaparecidos?
- Eles estão aqui?
- Não sei. Não sei nada do que acontece por aqui.
- Sua família se encontra?
- Papai está viajando. Estou sozinha.
- Há quanto tempo?
- Dois meses.
Foi convidado para sentar,  teve uma longa conversa com Alice, tinha quinze anos, morava com seu pai, a mãe fugiu com outro homem quando ela ainda era um bebê. O pai era professor aposentado, a fazenda era herança do bisavó que morrera há vinte anos.
Uma obscuridade escondia-se entre as paredes da casa, um homem abandonado pela mulher, um bisavô carrasco, e uma menina perturbada... Tão inteligente, diferente... E linda! Estava no caminho certo, na pista certa, mas como todo homem estava prestes a ser traído pelo próprio coração, pelo próprio instinto carnal.


domingo, 5 de agosto de 2012

Amor Distante.



Eu amo você, mas o amor as vezes não é o suficiente. Você me deixa com tanta fome, estamos sozinhos. Solitários. Eu preciso dizer adeus, um adeus que já foi dito pelo seu coração. Queria nunca ter te conhecido, talvez assim meu corpo não chorasse de saudades suas.
Passo os dias a chorar sozinha, a lamentar sua distância, meu sorriso é tão frágil, seu cheiro no meu travesseiro me faz encolher como uma criança com medo do bicho papão, tenho medo de ficar sempre assim tão só, mendigando as migalhas que você me dá.
Planejamos uma história tão bonita, cheia de imperfeições, mas ela se tornou uma perfeita chatice, poucas palavras, muitos desencontros, nenhuma imaginação, nada de aventura, é uma completa solidão a dois.
Somos tão diferentes? Minha vó dizia que os opostos se atraem, mas não continuam. Eu não quero seu meio amor, quero algo que me tire o fôlego, que me faça chorar de ciúmes, de raiva,  não de solidão.
Possuo um coração carnívoro, se fica com fome começa a me devorar de dentro pra fora, toda vez que ele  grita de fome e você não ouve, sinto seus dentes vorazes rasgando minha pele, sugando meu sangue, devorando meus órgãos, devora o amor que tenho por ti, feridas vão se criando por todos os lados, tudo que sinto vai se transformando em dor, o meu belíssimo sentimento vai se esvaindo, vai sendo sugado pelo órgão esfomeado.
Se o amor começa morno ele acaba precocemente congelado, o vento gelado da noite vem soprando amargas palavras, diz que devo deixa-lo.
- Por que amas algo que lhe trás tanto sofrimento? É sensato partir.
- Ainda há esperança, quem sabe meu amor não incendeie suas brasas?
- Tristes esperanças que as pessoas tem ao amar.
- Vá-se embora, deixe-me dormir.
- Aconchegue-se com  a saudade de um homem que não estás a sentir sua falta nesse momento. Você ama pelos dois.
- Não importa, no fim sou só uma menina, não sei o que é o amor.
- Julieta tinha treze anos.
- Só se morre de amor no cinema.
- Na vida real a cada amor perdido, uma parte do teu coração morre, cuidado menina. Seu coração podes morrer cedo demais!
Fecho os olhos como se isso evitasse que a voz do vento chegasse aos meus ouvidos, voz que na verdade vem de mim, da minha dor, das minhas dezesseis primaveras, dos meus vários amores fracassados.

Eu te amo, as vezes parece que amo um fantasma, ainda sim eu amo. Vivo um amor imaginário? Seria menos doloroso saber que é apenas um de meus devaneios, curo loucura com mais loucura, no entanto, você é real, abri mão da minha insanidade por você, não tenho para onde fugir, quem sabe para onde o próximo trem pode me levar? Adeus. Meu amor, meu homem, meu bebê, meu amante, ah como eu te amo!

sábado, 28 de julho de 2012

Amor Cruel


Todas as noites a solidão deita-se comigo, seus beijos ácidos me fazem dormir e ter pesadelos infernais. Para mim o trem nunca esteve nos trilhos, me relaciono com a vida de uma forma muito intensa, nunca estamos em paz, é uma grande guerra psicológica, sou tão submissa aos seus desejos, seus dedos laminados vivem me tocando, enquanto sangro ela sussurra em meus ouvidos. - Você é minha! Sua puta! Quantas vezes já implorei pela morte? Palavras vagas,gritos dementes, desejo falso, toda vez que confronto a morte, paro no meio do caminho, o corte nunca é fundo demais, o remédio nunca é o suficiente, são indícios de que sou cruelmente apaixonada pele vida, e ela sabe disse, trata-me como sua cadelinha, me diga, por que eu? Por que você me escolheu para ser sua garotinha? Esperando você cuspir a resposta na minha cara! Jogou-me entre os humanos mais fétidos, esfregou meu rosto nas histórias mais ásperas, deu-me uma sensibilidade perturbadora, quais seus planos? Eu exalo vida, sim, eu exalo você,sentimentos que são granadas, pensamentos enlouquecedores, os lábios   com sabor de dor, provei a dor de todas as formas possíveis, o que mais você quer de mim? Isso nunca vai ter um fim? A morte me assombra, mas você e suas grandes garras afiadas despedaçam-a sempre, se você realmente me ama, por que não me deixa ir sua desgraçada? Meu grande amor desgraçado, nós choramos, nós gritamos, sou seu corpo relutante. Sou o bode expiatório que você usou para poder enlouquecer sem ser descoberta, afinal é difícil carregar um doido nas costas né? Eu nunca tive escolha, sou sua escrava, escrava da vida, o que me resta fazer então? Tirar a roupa, e esperar seu abraço quente e doloroso, vamos me faça sangrar!

domingo, 22 de julho de 2012

Insanidade

Que belo sorriso. Quantos dias ele durou hein? Pobre menina, podes me sufocar por um tempo, eu voltarei. Sempre volto. Estou dentro de você, nem todas as forças do universo podem me parar. A vida lhe sorri, seres humanos dizem palavras esperançosas, o amor te doma como uma cadela, esse coraçãozinho infla de esperança, assisto essa cena patética por dias, muitas vezes não contenho o riso irônico precedido de uma pontada de dor, sei o final desse clichê.
Em uma manhã qualquer você recebe novamente a cusparada.


 - A vida adora cuspir ácido na minha cara. Ouço sua voz dolorida e revoltada.
- Ela cospe na cara de todo mundo. Digo sorridente deitada na cama, observo seus traços tomarem forma, é triste, eu não devia sorrir da desgraça alheia, mas querida, amo-te. Eu realmente amo-te, quando resolve ignorar-me, fico pálida, ressentida, tão machucada quanto esse órgão que tens no peito. Capto seu sorriso falso no espelho, os olhos profundamente vidrados, tu não não podes viver sem mim. Caminho lentamente, sinto-me aquecida, o caos está por vir, não há lágrimas em seus olhos, a dor corre em suas veias, sua essência sou eu. Em pouco tempo estou de volta, mais forte do que nunca. Eu sou sua insanidade menina.


- Não somos a mesma pessoa, mas temos as mesmas lembranças. Odeio as pessoas. Elas me criaram. Nasci através de trauma e dor, causados por ela. Você odeia a vida,  foi criada pela mesma. Sua sanidade momentânea é que te mata sabia?


- Eu não quero você. 
- Isso nunca foi questão de escolha.


Luta, luta tanto, só eu sei, pois sou sua adversária invisível, enquanto a vida lhe da socos, pontapés, vou sorrateira mastigando sua mente, acorrentando seus pulsos, quando a fera está domada, nos revoltamos contra a vida juntas, percebeu a ironia?
Pois se seu inimigo é a vida. Você procura a morte. Consciente ou não.
Não há lógica nisso.
Por que alguém odeia a vida? Onde há ódio, há amor. Um louco amor.
É aí que entro, humanos, meus criadores, e criaram-me através da jovem Dolly.


Eu quero ela viva. Só assim podemos destruir os humanos, é difícil mostrar para um coração de dezesseis anos que os reais culpados de sua insanidade são os de sua própria espécie, em especial os que ela mais amou.
Todos ao seu redor serão afetados, ninguém vai escapar da minha fúria, vão temer, vão abandonar Dolly. Querendo ou não vai machuca-los. Eu comando Dolly, me alimento de sua dor, de suas lembranças. Sou feita de tudo que ela rejeita. Não sou a causa do incêndio, mas sou o vento que alastra. 


Dolly é conhecida por matar tudo que ama, boicotar a própria felicidade.
Desculpe-me, mas o que posso fazer? As vezes tenho de jogar sujo, o amor suga Dolly, suga todo meu alimento. Sou um vírus parasita, cuide-se, o próximo pode ser você. Feridas criam monstros, você está ferido? Eu estou. Sou a insanidade de milhares de humanos, e posso ser a sua, se outros humanos me permitirem.





sábado, 14 de julho de 2012

" Me fiz de rocha, mas sempre fui flor."


                             

Talvez ainda exista em mim uma menininha machucada, destroçada por mãos rudes. Uma garotinha de nove anos que ainda ouve seu pai chamando-a de putinha. Fazendo-a ter nojo de si mesma, enquanto ele é que fazia coisas nojentas com ela. Por que você me destruiu assim? Os anos se passaram, mas a voz ainda grita em meu interior, dizendo mentiras que destroem quem eu realmente sou. Por que você fez isso comigo? ....
Feridas criam monstros? Por que eu fui ferida. Um lado mantém meu verdadeiro eu. E o outro lado insiste em acreditar que sou o que você dizia. Então cresci. O que eu me tornei? O que eu realmente sou? Eu sou as máscaras que criei? Eu sou o que você dizia? Ou eu sou o que meu coração diz? Aquilo que ninguém vê, ou melhor eu não vejo. As pessoas dizem que eu sou meiga e dócil, será que eu passei todos esses anos tentando ser o que não era? Ou criando uma personagem para me proteger dos nomes que me deu?
No momento tenho um nó na garganta, e uma dor no peito que sufoca, quase não consigo escrever, tenho vontade de chorar, gritar, mas existe um abismo até lá. Será que me permito ser a garota que escrevia poemas adoráveis, e gostava disso, ou a jovem armada de palavrões e palavras sexuais sufocou-a? Isso que acho que sou , será que realmente existe?
A maquiagem forçada, o ódio, a puta, a ingrata, a egoísta, a insensível, será que é isso que eu sou? Tenho de avaliar os fatos, vamos lá. Uma egoísta se importaria tanto com os sentimentos das pessoas? Uma puta ficaria maravilhada com um leve cafune, e uma companhia para o café? Veria as pessoas pelo que elas são? Pois sim, sempre riem de mim, dizendo que não vejo aparência. Eu sempre procuro o brilho nos olhos das pessoas. Eu sempre procuro suas almas. Eu sou cruel como penso? Analisando de verdade, vendo com meu coração, acho que não. É tão difícil falar bem de mim mesma, mas sim eu tenho moral, eu sou aquela que não gosta de falar gírias ou palavrões. A que prefere falar bumbum em vez de bunda. A que diz e compreende o sentimento das pessoas, ou pelo menos tenta. Que diabos você fez menina? Por que acredita ser tão terrível? Quando é na verdade tão frágil, quando brigam contigo o que faz? Quase sempre se cala, e deixa as coisas ficarem calmas. Suas personagens, o que você diz que é, é tão diferente do que realmente é, e pelo que vejo, é um pouco ao contrário das outras pessoas, você diz coisas ruins sobre você, a vida toda você fez isso, e chorou em silêncio com tudo que não fizeram contigo.
Você engana seus amores, e a si mesma dizendo que é cruel ,você pode ser pecadora,mas não é um monstro, nem uma puta divina. Você é só uma menina .

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Real Essência



É tanta escravidão, é tanto consumismo. Quero um carro veloz, todos os aparelhos tecnológicos, até aqueles que não tem utilidade nenhuma. Quero a roupa de marca, a comida mais cara. Você estuda, trabalha, e então constrói sua vida sobre uma pirâmide de coisas inúteis, onde diabos a sociedade vai parar? Não sou nenhuma naturalista, ou hippie, mas onde a sociedade esqueceu seu cérebro? Quando foi que eles  perderam sua essência? E por quê?
Os homens nunca foram perfeitos, seu espírito e instinto sempre foram violentos, destrutivos, gananciosos, mas cada vez mais nos tornamos meros robôs, zombies, lugares lotados com pessoas vazias? Um sonho : Um mundo mais humanizado.
Não sonho com um mundo sem violência, sem falsidade, sem ambição ou maldade. Só desejo viver em um lugar onde exista espaço para uma companhia para o café. Onde sexo seja melhor que dinheiro, onde as pessoas não sejam meras mercadorias do capitalismo, da mídia.
Perca tempo, leia livros, olhe o céu, faça sexo, escreva bobeiras, veja filmes, pratique esporte se gostar, ou fume se quiser. Beba uma pinga barata, observe o movimento das folhas, ou escale um pico. Jogue rpg, torça pelo seu time, durma muito, ou não durma nada, dance músicas idiotas, escute uma sinfonia, jogue sinuca ou truco. Não se importe com algo que pode ser rasgado, e tirado de você tão facilmente. Não, não acredito em deus, para mim não existe nada além daqui, e sim, a vida é uma merda, ela é cheia de dor, decepções, e tragédias, entanto também é feita de sorrisos, lágrimas, e milagres, milagres humanos, e não divinos. Você é o que é, o que ama, o que sente, e não o que tem, pode achar isso idiota, no final da sua vida, ou em algum momento dela você vai entender todas essas palavras. É uma pena que algumas pessoas nunca vejam isso. Todas essas palavras são vida, o que você tem na carteira é vida? Pode ser. Com ela você pode viver isso ou aquilo, mas você jamais poderá morrer com isso, abra sua mente, quebre a corrente que lhe fez acreditar que poder, dinheiro, são tudo. Olhe a sua volta, as salas de terapia estão cada vez mais cheias, a indústria de remédios psicotrópicos só cresce, os países mais ricos são os que possuem maior índice de suicídio, depressão, problemas psiquiátricos, acha que tudo isso é coincidência? Você é um ser humano, tem um cérebro, acima de tudo, um coração. Poético, científico,   ou racional isso tudo é real. Esse é o mundo real.
Já estive tantas vezes no abismo, no abismo entre a vida e a morte, sempre voltei, eu volto porque existe amor, existe sentimento, quando você está no fundo do poço, quando  está sem a mínima vontade de continuar, quando não quer mais respirar, e volta, você vê que só voltou pelas coisas meramente humanas.
Você não volta pelo carro, nem pelo dinheiro no banco, nem pelo poder, nem pelo que as pessoas vão pensar, tudo isso é tão superficial, vazio.
Existir vai tão além disso, é tão mais intenso, mais simples. Com toda certeza não poderá fazer tudo que quer, mas poderá optar sempre pelo amor. Podes ser um grande capitalista, é uma escolha, não é mesmo? Só não diga que não avisei, quando estiver doente, ou velho, solitário, tudo que você possui não vai secar suas lágrimas, nem afagar seus cabelos, ou cuidar de suas feridas, as feridas dentro de você.
Repare que em momento algum falei de felicidade, só falei de vida, e isso basta. Só isso basta. Felicidade tornou-se uma palavra promíscua e vaga.
Pode achar que falo isso por ser uma jovem ainda, por tem esperanças juvenis, por não ter vivido muito. Sinceramente, já vivi mais que muitos por aí. Tenho uma coleção de traumas, cometi erros imperdoáveis, destruí e fui destruída. Passei dos limites, vivi sem limites, mutilei sonhos, sentimentos, minha pele, sou uma sobrevivente. Não há outra palavras. E aqui estou, lhe dizendo, que a vida tem de ser vivida, que não há muitos sentidos, mas que há muitos motivos.
Desligue sua teve, olhe-se no espelho, e veja quem você realmente é, o que você é além de suas roupas, além de sua casa, além de seu carro, além de sua reputação, além de seu cargo, você se considera humano?
                                                                   Liberte-se!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Duplo Suicídio


Você e eu nascemos para morrer. Somos os poetas infelizes, descabidos e pessimistas. Agonizamos sob nossos corações dilacerados, não podemos ficar juntos, porque morreremos juntos. És o anjo maldito que venho procurando, é aquele que verá meu último respirar.
Prove o gosto amargo do meu mel, possua cada centímetro do meu corpo, presencie os suspiros mais vivos de uma mulher. O típico sopro de vida antes da morte. Um momento único para ambos, nenhum de nós sabe como é a sensação de desfalecer. Imagino uma mutação de sabores, um azedo no início, doce no decorrer, nostálgico no final.
No futuro não há nada além de uma vasta escuridão. Quem pode querer um final mais bonito e poético que esse? Romeu e Julieta do século XXI, Romeu e Julieta que não são amantes inocentes, muito menos possuem famílias divergentes. São dois jovens doentes, com almas de cavaleiros fustigados pela guerra. Falo de uma guerra espiritual, psicológica, incurável.
Me abrace, me beije, como se não houvesse amanhã, e não vai haver. Escute as respirações arfarem, as lembranças fundirem-se, teremos um ou dois minutos para decifrar os mistérios até então não revelados.
Nossa história não vai virar um livro, muito menos um filme. Seremos mais que frases feitas. Seremos a prova viva de como a vida pode ser bela e trágica. Doentia e temporária. Ou melhor a prova morta. A prova de que nenhuma história verdadeiramente humana pode acabar bem. E nem por isso se torna ruim.
As lágrimas secam, os corpos apodrecem, a paixão desfalece, as pessoas envelhecem, e a dor, ah , a dor! Essa vira poesia em mãos de poeta.
Não vai doer, ou talvez doa, entregue-se! O veneno vai selar nossos olhos, os lábios logo ficarão roxos, a pele pálida. Deitados na cama, caídos na cama, mortos. Que belíssimo sonho. O inferno chegou ao fim!


domingo, 24 de junho de 2012

Dor de Escritor.


E todo escritor é feito de dor. É assustador como as palavras fluem no papel quando a tristeza está destroçando meu peito. Possuo uma alma infeliz, ganhei de presente da vida, vez ou outra dá um nó na garganta, então preciso escrever, escrevo para sobreviver. É isso ou morrer, sou a menina de coração partido, a menina que nunca dorme, a que não sabe amar. Tudo que toco derrama lágrimas  tempos depois, pobres homens que tentam me fazer feliz, o único defeito de vocês é amar alguém como eu. O outro lado da moeda não é muito diferente, pobres dos homens que eu tento fazer feliz também. Tudo isso é tão clichê, textos repetitivos, sentimentos parecidos, meu sorriso está cansado, e a mente não para de sonhar. Os lábios desejam gritar, minha única salvação é de fato escrever. Sou como qualquer outro ser humano, ser infeliz não me faz melhor do que ninguém, só me torna mais literária, e talvez por isso as pessoas fiquem impressionadas. Palavras revelam mais do que deveriam, demonstram pequenas porções humanas, destroem nações e corações. Tudo que tenho para mostrar vocês já conhecem, só fingem que não viram, ou  veem de forma dócil, corriqueira, trágica? Sofrer não é uma fatalidade, é um dever, uma honra, uma sina. Você da e recebe, poupa e é poupado. Assim é a dor? Assim é o amor? Assim é a derrota? Seria tudo a mesma coisa? Chora no meu colo, e me deixe chorar no seu. Amanhã nenhum de nós estará aqui para contar história. O dia morre, a noite nasce, o dia nasce, a noite morre, e com ela todas memórias.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Indescritível



Um rosto tão lindo, mas uma alma tão suja.
Uma definição belíssima, poética, mas seria vaga demais. Estou falando de uma jovem de coração selvagem, nascida nos braços da dor, almejada pelas desgraças da vida. Cresceu isolada em suas próprias mentiras, fantasias criadas para suportar uma existência devastadora. Nascida para o sofrimento, princesa das trevas, humana de olhos pequenos, lábios agridoces, pele aveludada, dona de uma mente brilhante, uma mente genial, uma mente insana. Não sei lhe responder se ela nasceu louca, ou tornou-se louca, só posso dizer que ela tem seus motivos.  Magoada, nasceu magoada com o mundo. Mas escrava do mesmo, seu espirito de submissão é irracional, o mais perigoso nessa mulher, é que ela obedece a todos os seus sentimentos. Todos. Sem uma única exceção. Mata pelo ódio, morre pelo amor, fode pelo prazer, chora pelo remorso, destrói pela vingança, se esconde de vergonha, ri com ironias, e se enche de melancolia. É dócil, o sorriso tímido invade qualquer alma. Facilmente podem surgir lágrimas de sangue, é tão intensa que lágrimas corriqueiras não lhe servem, tem de ver sua pele chorar, as gotas de sangue escrevem tristes palavras, um livro sem páginas.

domingo, 27 de maio de 2012

Sra.Loucura


Abandonada. Abandonada por pessoas que se quer existem. São fantasias, fantasias vivas, minha mente criou histórias, companhias e sentimentos. Passei noites sendo abraçada, os lábios rudes, provei beijos intensos. Um longo devaneio. Uma garota sozinha dentro de um quarto, esses corações surgem das folhas dos livros, da tela  do computador, dos enredos dos filmes que assiste. A música lenta cria um clima agradável para uma bela noite de amor, trava grandes lutas corporais, viaja para os países mais distantes. A portas e janelas fechadas, Vanessa respirava seus próprios raios de sol, a própria neblina densa, perdida dentro de dias nublados. Todos frutos de sua imaginação, mas acredite, essa é uma mente arrasadora. Consegue criar ilusões sólidas, mais sinceras que muitos humanos por aí. Uma vida de mentira. Fisicamente de mentira. Pode parecer estranho, mentiras sinceras interessam essa estranha. Tudo isso tem gosto de paixão, cheiro de aventura, ela fecha os olhos e toca seu mundo, um mundo unicamente seu. Se existe dor nele? É claro que existe. Muita dor. Estamos falando de uma menina que nasceu nos braços da dor. E desenvolveu tamanha afeição por ela, tamanho amor, há muito tempo não consigo distinguir quem é quem. Mortalmente envolvidas. Me desviei do assunto, o fato é. Qual a razão de abandonar a realidade desse modo? De mergulhar tão profundamente dentro de si mesma? Simplesmente ignora a vida. Sim, acho isso um pecado. Só que se observar mais de perto, poderá ver as inúmeras cicatrizes em sua pele. Só tem dezesseis primaveras, como é que conseguiste tantas? Assopremos juntos! Seus olhos profundos encaram os meus, meio castanhos, meio verdes-floresta. Um olhar felino. Não é necessário nenhuma palavra. Todas suas memórias estão gritando em suas pupilas. Toco sua face de leve, uma humana sob minhas mãos, e que humana. Não, ela não é bonita, tem os traços meio desengonçados, mas tem uma história impossível de não chocar. De não arrepiar. De não fazer chorar. De não querer tocar. És a mais bela desgraça que já vi. Não posso seguir meu caminho, preciso levar essa menina comigo. Preciso salva-la de toda sua dor. Poucas pessoas chamam minha atenção, ou tocam meu coração. Diferente do que dizem, eu não construo ou destruo pessoas, não as domo, eu só pego nos braços esses humanos com dores demais, inteligência demais, desgraça demais. Eles acabam me fascinando. Ah, desculpe a falta de educação, ainda não me apresentei. Sou a loucura. Se me permite preciso levar Vanessa para minha casa, antes que a morte ou a esperança roube-a de mim.



domingo, 20 de maio de 2012

Maldição


O espelho não mente, sou uma lolita em decomposição, a circunferência das coxas cresceram, as maças do rosto não são tão vermelhas, os cabelos escureceram, as tranças deixaram de ser meigas. O batom vermelho é  só um batom comum, os olhos não brilham como antes. Todos sabemos que o prazo de validade é curto, ser lolita é uma maldição cruel. O corpo envelhece, o coração continua o mesmo, os babados e laços continuam vestindo sua alma. Seus antigos homens cuidam agora de outra lola, vão ser sempre homens, com as mãos rudes, e nós? O que seremos agora? Velhas ninfetas? Por que fomos condenadas a envelhecer tão cedo? A maioria das mulheres orgulha-se de seu jovem corpo adulto, seus seios formados, seus longos cabelos, o quadril desenhado, a liberdade, e uma porcentagem fica perdida, perdida no vazio que é crescer, o tempo é infernal para todos, mas para as meninas-ninfetas ele é ainda mais doloroso, você fecha os olhos e acorda velha, velha demais para mostrar a língua, para impressiona-los com tamanha sedução ainda sendo quase uma criança. Uma das perguntas feitas nessa fase final, o morrer dos dezesseis anos. Eu nasci assim? Ou um homem tornou-me assim? Fui tocada por um homem ainda criança por ser uma ninfeta? Ou tornei-me uma ninfeta por ser tocada por um homem ainda criança? Minha pele tinha cheiro de pêssego, gosto de paixão, gosto de mimo, e de entusiamo infantil, tudo isso foi engolido pelo passar dos anos, rápidos anos, no máximo cinco ou seis.
Eis um fato.
Sempre fui triste.
Agora sou triste, e meu corpo está morto, e ele era minha única forma de prazer. Minha única forma de sorrir, de brincar e manipular, de tentar direcionar minhas mágoas. É quase certo que não poderás entender esse texto, se entender. Sinto em dizer,mas você faz parte dessa maldição, sendo Lolita, ou sendo Humbert.Queria muito encontrar uma mulher de cinquenta anos que foi uma de nós, e perguntar como ela conseguiu chegar lá. Já encontrei algumas mais novas por aí, internadas em hospitais psiquiátricos, dentro de bordéis, na lista de suicídios. Os gemidos, os romances, minha natureza dupla, sempre foram meu maior inferno,mas quem disse que sou melhor sem eles? E que consigo viver sem eles? Só mais uma de várias, que perdeu o sono, e sofre amargamente por não ter como ter o tempo de volta. Sim, tenho afeição pela dor,mas nunca tive afeição pela morte, e eu morri! Para uma lolita eu morri! E nada pode me ressuscitar.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Exército de Menininhas

Somos a escória do mundo, perdemos a identidade, agora somos apenas números, a agulha penetra a veia, a droga percorre o sangue socorrendo minha alma destruída, subprodutos da sociedade. Sua pele se rasga como papel, a lâmina percorre as partes mais profundas do corpo. O álcool anestesia toda suas dores, é tão bom levitar sobre o nada. O sangue escorre do nariz enquanto o pó sobe para o cérebro, você está frenética, agora não é hora de morrer, e sim de matar. Nós precisamos disso para sobreviver. A insônia atormenta as noites, e apaga os dias, tudo deixa de ser real, o inferno, esse é o inferno. Todos nós temos histórias desgraçadas para contar, estamos doentes, somos o exército de menininhas abusadas, nossos lábios tem gosto de sexo, sexo sujo, o sêmen de vocês ainda escorrem por nossas coxas, nos chamam de adolescentes rebeldes,drogadas e perdidas.
Psicólogos querem apagar o estrago que esses homens fizeram, nos querem normais, nos querem calmas, nós entopem de remédios para evitar a bala no meio da testa de vocês, sexualizadas demais? Subiram em cima de nós antes mesmo completarmos dez anos, sufocaram nossos gritos, éramos apenas crianças, doces crianças, e agora? Somos demônios, os demônios do sexo, estamos prontas para atirar em suas cabeças, viemos arrancar seus membros com os dentes, tenho tamanho e ódio o suficiente para acabar com você, você não tem direito ao grito, ninguém pode escutar você, assim como ninguém pode me escutar anos atrás. Novas e desgraçadas, nós somos muitas, nós somos milhares, crianças que não tiveram voz, mulheres com facas nas mãos, assumo minha insanidade, insanidade criada por mãos entre nossas pernas. Não implore para deus, pois temos muito ódio dele também, jamais nos ouviu, nunca ouviu nossas preces, ele preferiu ficar brincando de fazer igrejas e ouvindo reza de mulheres ignorantes que só querem  ir para o céu, que desejam que seus maridos saibam meter direito nelas. É o fim para vocês, e o fim para nós também, os demônios morrem junto com seus criadores. Uma bala na sua testa, uma amputação no seu membro e chamas no seu corpo, e restou uma bala na minha boca.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Livres


E agora? Não somos mais uma lolita, não somos mais a Carrie White, não somos mais uma borderline, não somos mais uma puta, não somos mais uma aberração, você se sente nua, assim como eu me sinto crua, agora só restou o que realmente somos, e o que somos é a consequência do que construímos. As certezas foram embora, acabaram-se as definições, limitações, e conceitos. Só temos os fatos, cicatrizes pelo corpo, cabelos negros, palavras, fotos, mágoas, lembranças, fomos arrancadas de nosso trono infernal, mergulhadas em dúvidas, anseios e medos, você chora enquanto eu grito, e eu grito enquanto você chora.
Os lacinhos estão na gaveta, as lâminas no estojo, as bebidas na geladeira, os gatos no sofá, e o papel em nossas mãos, passamos os anos aceitando tudo o que as pessoas nos davam, nomes, roupas, qualidades,
defeitos ,e trejeitos. Você não criou máscaras, as pessoas criaram máscaras para você, isso é o pior de tudo, você foi transformada em uma boneca da sociedade, quando torna-se uma bonequinha de carne e osso desse mundo cruel muita dor virá em vão.
Agora que estamos livres dessas armaduras, podemos correr juntas para o infinito, o infinito das incertezas, e construirmos nossas vidas, nossas reais fatalidades, nossos sentimentos.
Venha! Vamos experimentar o gosto amargo da vida real,e o doce também, esquece os conceitos,o laço asfixiante foi cortado, todas as grades do seu coração foram quebradas, as pessoas que lá estavam foram libertadas, assim como as dores,a s flores e os horrores.
Esse agora é o nosso mundo, escreva textos, ouça suas músicas de fossa, leia livros sombrios, assista desenhos infantis, chore quando quiser, transe quando tiver quiser, mas só quando tiver vontade! Diga foda-se para religião, proteja os animais, decifre as estrelas, ame a lua, rasgue suas roupas, passe seu batom vermelho, encha sua parede de frases, molhe o mundo com seu cuspe, estude o que quiser,acorde cedo. Chega daquela  viva teatral!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Foi eterno enquanto durou...

É hora de enxugar as lágrimas,nada dura para sempre, e você sempre soube disse, foi um amor maravilhoso, mas foi consumido, simplesmente consumido pelas horas, a falta vai machucar, não é fácil deixar quem amamos, mas as vezes é necessário, melhor queimar do que se apagar aos poucos, assim dizia Kurt Cobain,e ele estava certo, assim o fruto não vai apodrecer, apenas boas lembranças serão congeladas.
Eu sei o que você está sentindo, um nó na garganta não é? Seja forte garota, seja humana, você sabe que foi melhor assim. Já imaginou como as coisas ficariam ainda mais maçantes? O tempo carrega com si muita dor, não foi por medo, foi escolha sua não ver o brilho desse romance morrer. Quando se deitar, abrace o travesseiro, olhe a lua, o frio de abril esconde as estrelas,mas elas continuam lá, prontas para aquecer seu coração ferido.
Se existe uma vida depois da queda as estrelas são a certeza, foram jogadas cruelmente no céu para viverem eternamente sozinhas, jamais poderão ser tocadas, entanto arrumaram um modo para sobreviver a essa dor, estar perto não é físico, elas aquecem todos os corações que as sentem, mesmo a milhares de quilômetros...
Amores começam e terminam, isso não os impedem de serem eternos, pois dentro dos corações serão eternos. Apoie-se em si mesma garota, fale com o céu estrelado, mesmo que você não as enxergue essa noite, diga palavras reconfortantes para si mesma, dê vida a seus olhos, uma doce vida, ser doce não quer dizer que não vai doer, aprenda a ser humana! Isso é ser humana!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Burguesa Infeliz.


Você está ao meu lado,mesmo desejando que você vá,seus fantasmas aparecem na beira da cama todas as noites,quando adormeço aparece nos mais encantados sonhos,e nos mais infernais pesadelos.Todas as manhãs enfrento meu sorriso de pirralha forjado,e escuto suas palavras no fundo :
- A vida é uma farsa!Sou a única pessoa que pode cuidar de você.Sou o único que pode lhe entender.Sua vadia pirralha!
A vida de burguesa revoltada é entediante demais,apenas vestidos rasgados,e cartões de crédito quebrados,a taça de cristal preferida da mamãe estilhaçada no chão!Advertências são inúteis para uma garota mimada,escolhas então!São impossíveis para as estragadas desse século,seu reflexo no espelho do banheiro de um bar fuleiro é tão verdadeiro,cabelos despenteados,queimaduras de cigarros,seios pequenos cobertos por uma camiseta rasgada,o cabelo está com cheiro de terra,os olhos profundos com olheiras,as faixas enroladas no braço,em que estado essa garota vai chegar?
Creio que um estado bem deplorável,por isso a todos os assustados.Que a deixem de uma vez!De uma vez!Para nunca mais,e você deve pegar o rosto dessa puta e mostrar para ela mesma o quanto está apaixonada por você,não de escolhas para uma burguesa infeliz!


Despedida

As palavras aqui escritas, são verídicas para meu coração, um amanhã tão cinza,está mesmo com gosto de partida. O café está no bule,os pães frescos na mesa,mas a minha presença dissolveu-se. Desculpe por não dizer adeus, de uma maneira mais doce, sinto em dizer, não conseguiria ir embora enfrentando seus cativantes e tristes olhos.
Eu sempre disse que você tinha de mudar seu jeito louco, garota eu te amo, mas é demais para mim sua autodestruição. Quantas noites passei em claro com suas fugas, o aperto no peito de lhe encontrar sangrando no chão do banheiro.
A cama vazia nunca consolou minhas lágrimas em suas noites de internação, eu estava sozinho,  você também estava sozinha. Uma noite enquanto estava bêbada, perguntei se lhe fazia feliz, seus lábios irônicos e sinceros com o álcool responderam :
- Ninguém pode ser feliz com alguém, se não é feliz consigo mesmo.
Hoje sei que estava certa! Tentei de todas as formas, demorei para entender os seus motivos, ou melhor os motivos do seu transtorno. Muitas vezes agi como um idiota, desculpe, só estava procurando certezas, e você jamais será uma certeza!
Oscila de uma maneira tão cruel, as vezes parece amar a crueldade que faz consigo mesma. Lembranças! As vezes temos de esquecer as boas lembranças, é mais saudável, para ir em frente, você não precisa esquecer o que foi ruim, e sim o que foi bom, é isso que te prende ao passado, as pessoas, o que me prende a você.
Foi difícil fazer essa escolha, mas vou ama-la, assim posso me apoiar quando sua falta começar a me esmurrar, e os nós na garganta aumentarem. Você é uma pessoa maravilhosa que infelizmente se deixou enlouquecer, e eu preciso partir antes para não ir junto.
Eu te amarei todas as noite, principalmente as de inverno, sei que estará no quarto vendo filmes abraçando seu  travesseiro, e é essa a imagem que quero ter em minha mente, de seu sorriso meigo,e não de seu olhar corrosivo.
E vou carregar esse medo, medo de um dia ver você na foto de um jornal estirada no chão, caída de um prédio, vítima da própria bala, ou presa em um hospício infernal...
Adeus, um beijo de quem te ama, mas não pode continuar ao lado de sua natureza.

domingo, 8 de abril de 2012

Inocência Corrompida





As mãos grossas do homem percorrem o corpo infantil da menina, a cada toque seus dedos sujam a alma do pequeno ser de olhos verdes, os cabelos loiros e lisos escondem a humilhação estampada em seu sorriso machucado, sensações desconhecidas até então, transformam o coração inocente em um inferno!

- Papai te ama! Esse é o nosso segredo hein?

Que amor é esse? Ela mal conhece o amor, e é submetida há um amor tão desgraçado, os anos vão passar, mas as lembranças vão ficar, as cicatrizes vão provar que o passado é real, mesmo que ninguém além dela as enxergue, as sinta.

Naquele primeiro momento ela foi condenada, nada será como era antes, não vai mais haver o doce sorriso infantil, brincar de boneca vai perder o sentido, os desenhos vão ser entediantes, e as lembranças agonizantes.

Um abraço jamais será o mesmo, um beijo fraternal jamais será o mesmo, a confusão mental vai reinar sobre aquela vida durante toda a eternidade, para a pequena vítima, o tempo congela naqueles atos doentios, as horas,os dias, os meses, os anos, eles não passam. O corpo cresce, mas a criança desprotegida ainda chora, e a única coisa que evolui nesses tristes seres é o ódio! São crianças em corpos de adultos que só conhecem o ódio, como uma criança reage ao ódio? Seus pensamentos, seu consciente, seu subconsciente, se misturam, se boicotam, se destroem.

Olhar no espelho dói, a pele parece suja, pegajosa, o olhar infantil imortalizado em medos e dúvidas, essa pessoa nunca vai saber identificar seus sentimentos, seus atos, seus pensamentos, o olho do furacão será eterno! Ela vai odiar seu malfeitor, vai odiar as pessoas, vai odiar a si mesma, vai se sentir culpada, horas depois vai sentir pena de si mesma, seus relacionamentos vão ser confusos, amor? Ódio? Quero? Não quero?

Quero vingança! Quero esquecer! Quero viver! Quero morrer! Sua vida jamais será normal, ela nunca vai estar em paz, podem fazer cinco, dez, quinze, vinte, trinta anos, a dor será a mesma, a mesma! Entende?Claro que não entende! A bomba estraçalhou tudo por dentro, e ninguém viu, então ninguém pode sentir!

Eu gosto de mulheres! Eu gosto de homens! Eu vejo meu namorado como um irmão, meu professor como um amante, o amante como pai! O que acontece comigo? Estou louca? Sou louca? Nasci louca? Ela vai perder o sono com as perguntas, vai perder a vontade de viver, vai beber e comer compulsivamente, experimentar a automutilação, cada vez vai passar mais horas trancada no quarto, não vai terminar a faculdade, não vai ter filhos, não vai amar um homem por mais de dois meses, não vai amar ninguém, e vai amar todo mundo, fatos são irreversíveis, principalmente fatos como esses. Não adianta sorrir e pedir para pessoa acreditar em deus, ou ler livros, trabalhar, a destruição já foi consumada. Então preste atenção enquanto há tempo!

NÃO FECHE OS OLHOS!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Filho Único

Você me quer?
Você cuida de mim?
Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?
Você me aceita
E me dá a receita
De como conviver com um monstro mesquinho e careta?
Você me respeita
Não grita comigo
Mesmo que eu tente tudo pra te irritar
Você tem que entender
Que eu sou filho único
Que os filhos únicos são seres infelizes
Eu tento mudar
Eu tento provar que me importo com os outros
Mas é tudo mentira (tudo mentira)
Estou na mais completa solidão
Do ser que é amado e não ama
Me ajude a conhecer a verdade
A respeitar meus irmãos
E a amar quem me ama.

Filho Único- Cazuza

quarta-feira, 21 de março de 2012

Atriz desmotivada

  Ela está insone dentro do quarto,já passam das duas da manhã,e a única coisa que ela deseja é que o tempo pare,a noite é tão acolhedora,as luzes se apagam,assim ela não precisa ver seus olhos tristes no espelho,nem o sorriso cansado,não precisa falar,afinal de dia ela está se esforçando tanto para andar,falar,sorrir,tudo para todos acreditarem na sua felicidade,na sua melhora,na sua existência equilibrada,é tão bom quando se distrai com seus livros,ou se concentra no treino,é tão bom quando ela esquece de si mesma,da sua existência,da sua aparência,ela só não gosta das vírgulas.Mas é tudo mentira,tudo parece mentira nesse momento,os colegas da escola,o  namorado,a família,o esporte,os seriados,os livros,quem se importa?Ela realmente se importa em seguir os rumos da vida?Parece estar dentro de uma peça teatral,e está na hora de ir para casa, o que vem além dessa peça teatral que é a vida?Ela finge um sonho,um amor,uma carreira,um curso,uma vida ,ela só deseja parar no tempo na noite insone do seu quarto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Inesperado Amor

Uma garota solitária,de coração desgraçado,andando sem qualquer rumo ou esperança,perdida no álcool,e nas noites cruéis,horas de sexo frio,sem um ofegar verdadeiro,destruída,angustiada,sem vontade de viver,se mantando em pequenas doses diárias.


                                 Um evento inesperado...
Aqueles olhos negros invadem sua vida,dissolvendo suas dores com um sorriso tímido,palavras vagas e beijos profundos.Pulsando o sangue em suas veias,protegendo-a de suas travessuras suicidas,abraços carinhosos,os dedos amáveis daquele homem percorrem suas cicatrizes,entanto ele sorri e elogia sua beleza,uma beleza desgastada,mas ele diz com tanto vigor,que a menina quase consegue acreditar depois de anos que  é realmente bela,e não um monstro em frente ao espelho.
Os dias passam,ela sente pontadas todas as noites antes de dormir,enjoos,suores,nuances,ela sente-se tão feliz,mas seu corpo doentio receia em aceitar o amor, afinal o que é o amor?O que era tudo aquilo?Tão diferente de seus sentimentos desgraçados.Avassalador sim!Mas indescritível!
Os olhos puxados reparam seus movimentos mais vivos do que nunca,ele a ouve com tanta paciência,com tanto sabor,sem ensaios,sem julgamentos,sem atrevimentos,as  frases desesperadas e pessimistas ficam cada vez mais calmas e ternas ao lado dele.
Ela nasceu para odiar o amor,ela foi ensinada pela vida que deveria ser assim,mas os rabiscos ultrapassaram as margens da sua capacidade lógica,tornou-se uma menininha apaixonada,como qualquer outra,ou melhor diferente de qualquer outra?
Ela o ama verdadeiramente,sonha com ele,suas considerações suicidas e solitárias caíram por terra,agora em seus pensamentos moras  com seu amado no futuro.Ela descobriu um novo sentimento,uma pontadinha dessa coisa que as pessoas chamam de ciúmes.Reconhece seu cheiro natural,sente saudade,e repete no dedo os seus momentos.
Os dois se amaram,ela experimentou o gosto doce da vida,nada de repulsa,apenas prazer,lírico prazer,seus corpos fundiram de uma maneira tão humana,tão simples, e tão mágica,todos seus movimentos eram tão profundos e suas respirações ofegavam juntas,e no final eles ficaram horas se olhando.