segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Domingo enfadonho

  Parece mentira, como as paredes dessa sala sufocam.A chuva cai incessantemente , a solidão está sentada ao meu lado, cobrando atenção, sugando-me.Músicas melancólicas de fundo, cores mortas nesse domingo enfadonho.Vou passar um café, e continuar escrevendo, sozinha, é bem verdade que sinto falta de um beijo, um abraço, um chamego, mas já me acostumei a essa situação. Onde só existe, eu, meus livros e minhas podridões.
Adoro ficar em casa,apreciar, degustar, esse dia entediante,eu gosto do tédio, ele me permite escrever, ler, jogar-me no sofá escutando o barulho dos pingos de chuva no teto.Não preciso sorrir, arrumar o cabelo, ou fingir, odeio esses programinhas de final de semana, churrasco, praia, piscina ou almoço em família.Essas coisas não me satisfazem, não me fazem pertencer ao mundo, ou ser de alguém, é pura ilusão.
Então prefiro ausentar-me, e viver minha nostalgia, minha filosofia, sentir  de perto o que realmente vem de dentro de mim, pode parecer que desperdiço vida, mas não, isso tudo é intenso, o confronto entre eu e eu mesma.Muitas pessoas passam a vida toda sem esse  confronto,se elas são mais felizes? Sim!São alienadas,eu as invejo, queria ter essa ignorância, porém eu nasci com esse jeito, neurótico e crítico. Bem, estão batendo à porta,  e o café esta à mesa, vou me deliciar, e a porta?Vai ficar lá, nos meus domingos enfadonhos não faço contato com o mundo exterior, adeus.

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