segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Desabafo de um coração

Quando é que você vai olhar para o espelho e parar de ser tão patética?De choramingar pelos cantos, de ter pena de si mesma.Por que você não levanta?Por que você não reage?Eu sempre admirei a sua força, a sua coragem, a sua capacidade de se doar ao amor de olhos fechados.
 O seu sorriso era tão belo, seu abraço tão sincero, vi você fazer coisas inacreditáveis, senti o poder da sua esperança,fui o coração mais feliz do mundo, presenciei todos os seus momentos, experimentei cada sentimento, mergulhei em todas suas aventuras,muitas vezes me machuquei, é verdade,mas você incrivelmente me carregou e recomeçou tudo outra vez.
Existia uma fusão entre eu e você, éramos perfeitamente imperfeitos, durante anos eu bati dentro do seu peito, sem controle, explorei cada parte do seu pensamento.Não sei bem ao certo quando foi que tudo começou a mudar,de repente ela foi se desligando de mim, passou a me sufocar.
Sorrateiramente a lamúria infiltrou-se entre nós,fui depredado e abandonado, adoeci, e ela simplesmente não fez nada.Evidentemente,logo ela também adoeceu, e o caos instalou-se em nós.Ela chorava, eu sangrava, passamos culpar um ao outro, pelas tragédias que sucederam-se, fui esmagado diversas vezes.
Não mais me escutava, apenas sentia, ela tentava insanamente cortar nossa ligação, o que era impossível, então começou a rejeitar-me, odiar-me, o resultado seria certamente assustador.
Dor, muita dor, encheu-nos de sofrimento, e sua revolta somente inflou, ela queria meu fim, em consequência isso seria seu fim, fez coisas terríveis, liquidou cada pedaço existente em nós, não resta nada, cavou, e se enterrou.

Garotinha

Comecei a possuir seu corpo, sua garotinha problema, sua pele tem cheiro gostoso, gosto de pêssego doce. Uma voz infantil, e um sorriso vulgar, sou fisgado por um olhar. Minhas mãos firmes seguram sua cintura, quase enlouquecido, ouço seus gemidos colados aos meus ouvidos.
Deslizo os dedos pelo contorno de seus ombros juvenis,queimam com sua excitação,com seu desejo de contemplação.As unhas curtas e mal pintadas, só podem ser mesmo de uma peralta.Posso ver sua malícia, sua falta de pudor, sua lolita interior, sei bem quem você é, seu anjinho endemoniado, menina malcriada.
Meu prazer fica mais frenético, mesmo que só por agora , você é minha, minha pequena putinha. Enquanto se contorce  olho para seus traços, a trança nos cabelos, o batom vermelho exagerado  está agora todo borrado, o corpo bem desenhado, mas ainda em formação, vestido de bolinha, pronto para ser despido.
Aperta-se contra mim, beija-me, chupa-me, sei bem o que ela quer, manipular, mandar, ela brinca com homens como se brincasse com bonecas.O que ela ainda não tem maturidade para perceber, é que ela manipula a si mesma, joga sozinha, as lembranças serão tão dela, quanto nossas. Nossos gozos plantaram um nojo altamente destruidor no seu coração de criança.
 De lolita a suicida.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Amores proibidos


Casos proibidos, esses rendem belas histórias, pecado, desejo, luxúria, paixão , um pouco de dor e contestação.Sempre perguntei-me qual a razão de me envolver em tantos amores proibidos, já que quase sempre eles tem finais infelizes, ou até trágicos, porém, não é questão de escolha ou tentação, isso é seu coração.
    Não sou vítima, nem vilã, sou como qualquer outro ser humano, escrava de seus sentimentos,intensa e sem limites. Instintos carnais nos atormentam, nos enlouquecem, nos levam para o céu e para o inferno ao mesmo tempo.
   Homens e mulheres que chegam ao êxtase de sua essência corporal, espiritual, que rendem-se aos seus parceiros, seus prazeres, seus amantes, seus amados.Quando anoitece, eles ficam insones, delirantes, pensantes.Pequenas mentiras, pequenas fugas, olhares selvagens, beijos intensos, noites ardentes, dias inquietos,telefonemas silenciosos, conversas as espreitas dos olhares alheios, portas fechadas, roupas ao chão, corpos colados, vozes sussurrantes.
  É claro que isso não pode durar muito, o coração não aguentaria, o corpo não aguentaria, as pessoas não aguentariam, um tempo limite, e um final incerto, assim são os amores proibidos.



Domingo enfadonho

  Parece mentira, como as paredes dessa sala sufocam.A chuva cai incessantemente , a solidão está sentada ao meu lado, cobrando atenção, sugando-me.Músicas melancólicas de fundo, cores mortas nesse domingo enfadonho.Vou passar um café, e continuar escrevendo, sozinha, é bem verdade que sinto falta de um beijo, um abraço, um chamego, mas já me acostumei a essa situação. Onde só existe, eu, meus livros e minhas podridões.
Adoro ficar em casa,apreciar, degustar, esse dia entediante,eu gosto do tédio, ele me permite escrever, ler, jogar-me no sofá escutando o barulho dos pingos de chuva no teto.Não preciso sorrir, arrumar o cabelo, ou fingir, odeio esses programinhas de final de semana, churrasco, praia, piscina ou almoço em família.Essas coisas não me satisfazem, não me fazem pertencer ao mundo, ou ser de alguém, é pura ilusão.
Então prefiro ausentar-me, e viver minha nostalgia, minha filosofia, sentir  de perto o que realmente vem de dentro de mim, pode parecer que desperdiço vida, mas não, isso tudo é intenso, o confronto entre eu e eu mesma.Muitas pessoas passam a vida toda sem esse  confronto,se elas são mais felizes? Sim!São alienadas,eu as invejo, queria ter essa ignorância, porém eu nasci com esse jeito, neurótico e crítico. Bem, estão batendo à porta,  e o café esta à mesa, vou me deliciar, e a porta?Vai ficar lá, nos meus domingos enfadonhos não faço contato com o mundo exterior, adeus.