sexta-feira, 1 de abril de 2011

Manuel Bandeira

                                             Alguns trechos do livro Antologia Poética







Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo

 A sua agulha de aço em meu crânio doído

 São prostitutas, são declamadoras?São acrobatas?São as três marias?

Tua beleza esmeralda acabou me enlouquecendo

Tu não estás comigo em momentos escassos

 Vejo nele a feição fria de um desafeto.

Sinto que minha vida é sem fim, sem objeto ...

A velha alma arruinada e doente

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
  - Esta pouca cinza fria...

E te amo como se ama um passarinho morto

Que nos penetra como uma espada de fogo

Ao contacto das minhas mãos lentas
A substância da tua carne
Era a mesma que a do silêncio

A doce tarde morre.E tão mansa
Ela esmorece.

Paixão puríssima ou devassa
Triste ou feliz, pena ou prazer
Amor- chama, e, depois, fumaça.

Eu estava contigo.Os nossos dominós eram negros, e negras eram nossas máscaras.

Feita de sonho e de desgraça.

-Eu faço versos como quem morre.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

Só-meu coração ardeu.

-Foi então que senti sorrir o meu desgosto.

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida.

É bem verdade que me tortura
Mais do que as dores que já conheço
E em tais momentos se me afigura
Que estou morrendo, que desfaleço.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne.
A exangue máscara de cera
cercada de flores
Que apodrecerão - felizes!num dia
Banhada de lágrimas
Nascidas menos na da saudade do que  do espanto da morte.

Morrer
Morrer de corpo e alma
Completamente.

Em nenhum coração, em
Nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme

( Depois posto mais)

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