quinta-feira, 17 de março de 2011

Destruída














Ela é um monstro, de olhos claros e coração mutilado, vive na sombra de um passado que nunca para de sangrar.
Dentro dela, impregnada em suas veias é onde me encontro, assustada com tamanho amor e horror que sinto.
Não foi escolha minha estar aqui, sou uma consequência da vida, primeiro misturei-me as suas memórias, a seu corpo,sua alma, e agora nossa fundição está completa, mortalmente completa.
Toda noite com sua gilete implora por mim, não resisto, enquanto se corta, envolvo-a em meus braços, o sangue que começa escorrer é um doce masoquismo,ficamos inteiramente vivas nesse momento.
Sempre cravo minhas unhas em sua face machucada, pois usa máscaras tentando me esconder, sob essa armadura de mentiras um corpo está apodrecendo.
Há tanto tempo venho lhe consumindo, que forma intensa de se doar, nem a morte vai nos separar.

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