quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Amor















Olhava  fixamente  para ele, um vento frio entrava pela janela e cortava-se contra sua pele, naquela noite  o nojo de si mesma era tanto que lhe causava náuseas.
As lágrimas queimavam sua face, ela  sentia o sangue pulsando em suas veias, algo estava se contorcendo dentro dela, pela primeira vez seu jogo sujo de  sempre a corroía.
Sabia que estava completamente apaixonada, era incontrolável, mas  respirou fundo, levantou-se e ficou olhando sua expressão no espelho, estava diferente, o tom cruel e doentio era quase inexistente, estava viva, viva de amor, aquilo a encantou por alguns segundos até que a realidade a puxasse de volta.
Olhando para o punhal em suas mãos, se lembrou o real motivo de estar ali, ao lado dele, não era por amor, muito menos por sexo, ela estava ali para mata-lo.
Só que dessa vez aquele sentimento brutal, irracional, havia tomado seu corpo por inteiro, era difícil se manter entre a razão.
 Aproximou-se dele, sussurrando suas palavras de amor amargas, ele sorriu, aquilo a feriu ainda mais, encostou os lábios nos dele, em uma despedida mórbida  começou a lhe dar as apunhaladas, o silêncio era quebrado apenas por alguns gritos de dor, continuou até que já não houvesse nenhum vestígio de vida.
Naquele momento os dois corpos estavam  completamente inundados de sangue, uma inércia tomou conta dela. Debruçou sobre o peito dele, e chorou por horas, lágrimas de crocodilo.

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